Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

Globalização 2.0

Não entendo nada de comércio exterior, mas acho que a gente não percebeu que o mundo vive um novo período de globalização.
Explico.
Na globalização do passado, o que importava era distribuir
a produção reduzindo os custos e ampliando o ROI.
Parafusos holandeses, engrenagens alemãs, ponteiros suíços e você tinha um relógio globalizado pela metade do preço.
Isso acabou.
Na globalização 2.0, o objetivo é aumentar ainda mais a lucratividade, mas abrindo mão da ética.
É só reparar como a maioria dos países se dá bem nessa nova ordem sem seguir regrinhas básicas de moralidade.
Os chineses, por exemplo, com mão de obra barata, foram capazes de substituir os robôs.
Trabalho semiescravo não dá problema técnico, não quebra, não tem manutenção cara. Aliás, quando um chinês enguiça, em poucos minutos já há outro no lugar.
Substituir um robô levaria meses.
E ainda há essa tradição milenar chinesa de ignorar patentes.
Uma aula de globalização 2.0.
Indianos são outro bom exemplo.
Com aquele sotaque horrível no inglês, são ideais para trabalhar nos call centers da vida.
Em poucos minutos, tentando entender o que diz um indiano no outro lado do mundo, os americanos desistem da reclamação.
Falando em americanos, os EUA também aproveitaram
a globalização 2.0 para fazer o que fazem melhor.
Onde você vê a Mãe de Todas as Bombas, eu vejo contratos de venda de armamentos.
E os EUA elegeram o Trump, amigo, não me venha falar em moral.
Enquanto isso, os paspalhos brasileiros perdem competitividade ano após ano porque justo agora decidiram ser um País “sério”.
Ora, por favor.
Temos é que implantar a globalização 2.0 no Brasil imediatamente.
Descobrir qual é nosso principal skill num mundo sem moral.
O que fazemos melhor do que qualquer outro país quando ninguém está olhando? Corrupção, é claro.
Chegou a hora de assumir esse nosso talento natural.
Vamos fazer o que deveríamos ter feito há 50 anos: oficializar a corrupção.
O primeiro passo é acabar com essa aberração que é a Lava Jato.
Depois, uma Reforma Política.
Não vai existir mais financiamento de campanhas porque não vai mais existir campanha.
As cadeiras do Senado e da Câmara serão leiloadas.
Pagou, levou.
Oficialmente.
Com nota fiscal e tudo.
Vamos fazer às claras o que fazíamos em salas secretas.
O mundo inteiro não morre de medo da China copiar produtos ou fabricar a preços que inviabilizem
as empresas nacionais?
Pois agora vão morrer de medo da gente comprando concorrências em todos os setores.
Quer vender mais carne que a Argentina para a França?
Molha a mão da francesada.
Quer construir um porto na Tunísia?
Propina oficial a caminho e pronto.
Nossos corruptos têm muito para ensinar ao mundo todo e, por uma frescurinha moral, deixamos a Lava Jato e esse juiz de primeira instância atrapalhar nosso futuro.
Ainda é tempo de reverter esse quadro.
As próximas eleições para presidente estão aí, no ano que vem.
Que vença o partido que melhor hackear as urnas eletrônicas.
Não é libertador estar alinhado com os novos tempos?
Já estou me sentindo mais leve.

Vamos fazer o que deveríamos ter feito há 50 anos: oficializar a corrupção. O primeiro passo é acabar com essa aberração que é a Lava Jato


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