Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

Gastos públicos: burrice, vício ou cegueira?

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Um governante com as taxas de rejeição de Michel Temer (70%, segundo o Ibope) não pode se dar ao luxo de descartar agrados à população. Mesmo que bons gestos sejam incapazes de produzir milagres – não foi ele que liberou as contas inativas do FGTS? – é melhor fazê-los do que desprezá-los.

Isto posto, cabe tentar entender o que o inquilino acuado no Planalto está esperando para acabar de uma vez por todas com a impopular orgia aérea na qual seus ministros e outros premiados da República se lambuzam à exaustão, cruzando em jatinhos da FAB os céus do País com 14 milhões de desempregados e um déficit publico insolúvel.

É verdade que a atual camarilha brasiliense não inaugurou o abuso, praticado desde o nascimento do Grupo de Transporte Especial, criado pela Aeronáutica em 1957 para gozo do chefe de Estado e “demais autoridades”.

Ano passado, quando mais de 2.500 deslocamentos desse tipo foram realizados, pacientes nas filas de transplantes morreram porque o mesmo GTE recusou-se a transportar órgãos de doadores. Um decreto parido pela repercussão do crime determinou que um jato oficial passasse a cuidar de tais emergências, mas manteve os outros 14 da esquadrilha a serviço dos figurões. E eles têm deitado e rolado.

Só no primeiro trimestre, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez 30 voos para passar os fins de semana no Rio de Janeiro. Seu sogro, Moreira Franco, e Henrique Meirelles, da Fazenda, também usuários contumazes da mordomia, cumpriram rota idêntica na sexta-feira, 14 de julho, regressando a Brasília no domingo seguinte. Ambos usaram aviões individuais, na ida e na volta.

De janeiro a março deste ano, 519 voos do gênero decolaram da Capital com sultões a bordo, a maioria a caminho de casa. Basta uma canetada de Temer para por fim ao milionário bacanal.

E ele pode começar a faxina dando o exemplo: as viagens nacionais de Sua Excelência envolvem um Airbus A319 (mais de 200 passageiros na configuração comercial) um EMB190 (100 lugares) e dois helicópteros de grande porte. Um aparato de fazer inveja ao presidente americano, o político mais visado do mundo.

Eleições 2018
Sem estrelas

Faltando pouco mais de um ano para as eleições, duas realidades saltam aos olhos. Com muitos políticos enrolados em investigações criminais quase não houve pesquisas de intenção de voto contratadas em grandes institutos. Além disso, como as campanhas (bem mais modestas que no passado) terão poucos recursos em 2018, já que não existe margem para o caixa dois nas doações, o marketing político será basicamente tocado por novatos, como uma espécie de campeonato Sub-20 do futebol.

Brasil
Público versus Privado

Divulgação

Mais dois ministros do governo Temer terão seus atos avaliados na reunião da Comissão de Ética da Presidência da República, nesta segunda-feira 31. Servidores da Secretaria das Mulheres reclamam de “convocações” para cultos evangélicos no gabinete da ministra Fátima Pelaes. A liberdade religiosa está aí, mas louvores em espaço público, de fato, não têm abrigo no Código de Conduta da Alta Administração Federal. Já sobre Maurício Lessa recai denúncia de que a agência de comunicação que presta serviços ao Ministério dos Transportes administra as redes sociais de Sua Excelência.

Bancos 1
Cerco implacável 1

Pelo menos 20 correntistas do Banco do Brasil Miami tiveram suas contas encerradas unilateralmente nos últimos  meses. Alguns eram clientes há muitos anos, movimentando saldos sem glosas e declarados à Receita Federal. A “punição” atingiu parentes de alvos da Lava Jato, em especial políticos. Parte deles pretende processar o BB por dano moral. Alegam que não são  investigados pelos procuradores de Curitiba e tampouco figuram nos processos.

Bancos 2
Cerco implacável 2

Com a mesma referência a “apontamentos cadastrais”, bancos privados também aceleraram a expulsão de familiares de políticos e de outros alcançados pela Força-Tarefa de Curitiba. As contas estão sendo fechadas “por decisão soberana da área de compliance”. Um dos atingidos pediu explicações e recebeu mensagem informando que o banco “não tem dever de fundamentar a decisão”. Ações do gênero estão em andamento no Citibank, Itaú, Santander, Bradesco e Pactual, entre outros.

Planalto
Pouca ação

Andressa Anholete

Michel Temer planeja fazer um pronunciamento à nação caso vença a votação da denúncia apresentada pela PGR no plenário da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira 2. Como a sessão deve acabar tarde, a fala ocorreria no dia seguinte. O governo quer garantir o quorum de 342 políticos no plenário, mas admite que após a marcação de presença, alguns políticos da base aliada deixem a Câmara, sem que a fuga dê a oposição os votos suficientes para a abertura de ação contra o presidente no STF.  Agora, com o núcleo central do Planalto focado na proteção a Temer, o que se percebe nos governos sãos os ministérios bem paralisados, com seus titulares trabalhando poucos dias na semanas e onde falta dinheiro para praticamente tudo.

MPF
Dinheiro?

Surpreendeu a área econômica do governo, na semana passada, nota da Associação Nacional dos Procuradores da República em defesa da proposta de Orçamento para 2018 do MPF. Primeiro, ao destacar que o reajuste salarial de 16,38% para o funcionalismo “não acarretará em aumento de gastos públicos”. Depois, ao afirmar que o impacto de R$ 116 milhões estimado pelo Ministério Público da União “serão compensados”. Em ambos os casos faltou explicar como.

Medicina
Fenômeno social

Divulgação
Enfim, uma boa notícia. Apesar de todas as dificuldades vividas pelos brasileiros, o transplante de órgãos cresceu no primeiro semestre. Foram quase três mil doações. A entidade (ABTO) que coordena o programa no País prevê que a participação de diferentes atores no processo possibilitará em 2017 um resultado melhor do que de janeiro a dezembro do ano passado (5.512 procedimentos).

Delação
Olha ela aí…

Zanone Fraissat

O STF está perto de homologar a delação premiada do fundador e acionista da Gol, Henrique Constantino. O calhamaço, que envolve políticos e o doleiro Lúcio Funaro, entre outros, detalha desvios de recursos do FGTS. Parte da propina, segundo a apuração das operações Sépsis e Cui Bono, irrigou uma empresa que está em nome da mulher do ex-deputado Eduardo Cunha, Cláudia Cruz. Michel Temer também é citado na delação, por ter dado aval ao repasse de Caixa 2, com dinheiro oriundo do esquema,  a campanhas do PMDB. Constantino aceitou pagar multa, na casa dos milhões, como parte do acordo.

Cultura
Padrinho

Divulgação

Há menos de uma semana no cargo, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, pode ser orgulhar de ter bons e influentes amigos. Uma das pessoas que atuou com vigor nos bastidores por sua nomeação foi o cineasta Cacá Dieguez.

 


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