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Feliz, Carlos Lima inicia trabalho como técnico da seleção feminina de basquete

Aos 45 anos, Carlos Lima tem a sua maior chance na carreira. Nesta quinta-feira, em Pindamonhangaba (SP), o treinador inicia o trabalho com o grupo da seleção brasileira feminina de basquete. O desafio é ficar entre os três primeiros da Copa América, que começa no dia 4 de agosto, na Argentina, e classificar o Brasil para o Mundial da Espanha, em 2019. O resultado, segundo revelou o técnico ao Estado, influenciará o seu futuro no cargo.

O convite te surpreendeu?

Claro que você fica surpreso em um primeiro momento, mas sempre esperei uma chance para representar o Brasil. Aceitei de imediato, independentemente do momento. É de suma importância uma chance como essa. Fiquei muito satisfeito com o convite.

Você fica exclusivo da CBB ou continua também no São José-SP?

Neste primeiro momento fui convocado para comandar o Brasil na Copa América. Lógico que o meu desejo é que possamos conversar para eu continuar. Mas primeiro penso na Copa América e depois vamos aguardar, até para que tudo possa se assentar. A gente sabe que o pessoal da CBB está trabalhando muito para colocar tudo em ordem para que possamos fazer um planejamento para o futuro.

Então você é interino?

Na minha cabeça vou dirigir o Brasil na Copa América, mas com o desejo de continuar.

Até pela situação financeira delicada da CBB, você receberá salário ou uma premiação por desempenho?

Prefiro não responder.

Você se sente pressionado?

É o maior desafio da minha vida, dirigir uma seleção brasileira, em uma competição importante. Vamos enfrentar uma Copa América com um grau de dificuldade muito alto, até porque são apenas três vagas para o Mundial e temos sete seleções. Mas, sinceramente, não me sinto pressionado porque fui contratado para fazer um trabalho. As pessoas que me contrataram certamente acreditam no que posso fazer. Ao lado da comissão, vou fazer o trabalho mais elaborado possível, mais dedicado possível, fazer com que essas meninas tenham orgulho de representar o Brasil.

A primeira lista saiu no mesmo dia em que você foi confirmado no cargo. Como foi essa elaboração? Você chamou cinco jogadoras que atuam no exterior. Acredita que estarão na Copa América?

Foram mais ou menos 10 dias pensando na lista. A convocação foi feita e vamos aguardar. A gente espera que elas possam estar na competição. Neste momento, ainda não sei como será. Não tive contato com elas. Vamos ver o que pode vir pela frente.

Um mês é muito pouco para preparar o time?

Gostaria de ter um pouco mais de tempo, principalmente pela parte física. A Liga Nacional acabou há dois meses e não sabemos em quais condições estão as jogadoras. A parte tática e técnica vamos correr atrás e procurar fazer com que o tempo seja suficiente.

Quais são os principais rivais?

O Canadá é muito forte. A Argentina, por jogar em casa, também é um adversário complicado. Temos Cuba, Colômbia, Venezuela. São adversários duríssimos. Passamos por esse momento de afastamento de competições, as jogadoras sem saber se iríamos participar de alguma competição. Então vejo que eles estão em vantagem por esse motivo. Mas já temos vídeos dessas seleções e estamos trabalhando para entrar preparados.

Como avalia o atual momento do basquete feminino no Brasil?

Temos vários pontos que precisamos melhorar na estrutura. A gente precisa reformar os campeonatos de base, temos de ter mais investimento nas equipes, patrocinadores, mais times na LBF (Liga de Basquete Feminino). Temos de retomar. O basquete feminino está desacreditado no Brasil. A retomada só vai acontecer com um produto melhor, com mais visibilidade.

É possível encontrar uma nova geração como a de Hortência, Paula e Janeth?

Essas foram jogadoras excepcionais. Isso pode acontecer com trabalho, mas não daqui seis meses, dois anos. Vai acontecer mais para frente, com planejamento, uma estruturação. Tenho certeza que isso será feito por essa administração da CBB. Confio no sucesso, mas com um trabalho de médio e longo prazo.

O feminino ficou em segundo plano nos últimos anos?

Sem dúvida. O naipe feminino não é tão valorizado quanto o masculino. E isso não é apenas no basquete. O masculino sempre tem um pouco mais de apoio. Mas vi o atual presidente afirmar em entrevistas que vai dar a mesma atenção ao feminino.

Qual é o caminho para revelar jogadoras de nível de seleção?

A escola é o primeiro passo. Os Estados Unidos são o exemplo. O esporte tem de andar junto com a educação. Depois são os clubes. Eles têm de fazer um trabalho de formação, colocar crianças para disputar campeonatos. Aí teremos quantidade para extrair qualidade.