Edição nº2475 19.05 Ver edições anteriores

A falta que faz

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A volta de doenças típicas de países subdesenvolvidos, como a febre amarela, assassinatos em série nos presídios, desemprego em alta decorrente de uma crise econômica longe do fim, estados falidos e o antagonismo crescente entre classes no Brasil. Em meio a muitas notícias ruins nesse início de 2017, surge algo positivo. Foram consolidados os dados sobre os transplantes no País. No ano passado, alcançamos a marca de 14,6 doadores por milhão de habitantes (pmp), melhor que a observada em 2015: 14,1.

O nosso País se destaca nesse campo no contexto mundial. Para ser preciso, de 2000 a 2016 foram 403 mil 368 cirurgias para implantação de órgãos e tecidos. Os números notáveis falam por si. Em 16 anos foram 156.316 transplantes de córneas, 150.801 de ossos, 71.329 de rim, 20.329 de fígado, 3.534 de coração, 2.688 de pâncreas, 913 de pulmão, 146 de pele (a partir de 2010) e nove de intestino. As informações são da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

Ainda existe espaço para crescimento e tudo está sendo feito para envolver mais estados na rede, além das crescentes ações para aproximar a população do tema.

Cerca de 95% dos procedimentos são realizados pelo SUS. E aqui reside um ponto importante: apesar da crise vivida pelo País, as autoridades têm que se empenhar ao máximo para não deixar faltar remédios na rede pública. Um transplantado precisará deles a vida inteira. Em alguns casos, como os envolvendo a implantação de um coração, pulmão e fígado, a paralisação significa morte certa em pouco tempo. Se a pessoa que recebeu um rim não tomar medicamentos, em cerca de 15 dias perde o órgão e volta à hemodiálise.

O SUS aplicou muitos recursos nesse quase meio milhão de transplantes. Que os investimentos prossigam, favorecendo quem se beneficiou com as cirurgias ou os milhares ainda inscritos no Registro Brasileiro de Transplantes, aguardando a hora de ir para salas de cirurgia e, depois, experimentarem outra qualidade de vida.

INFRAESTRUTURA
Transparência

Não foi só aprovado na semana passada o novo modelo para seleção de projetos aos recursos do FGTS (com juros pela Selic conforme noticiado aqui). O comitê de investimentos do FI-FGTS decidiu que, além de editais de chamada pública com regras sobre as etapas do processo de seleção, haverá “road shows” para investidores. O FI-FGTS tem hoje R$ 12 bilhões para emprestar. No sistema antigo, a CEF pegava as propostas e emitia parecer ao colegiado. Obtido ok, a operação era estruturada, para derradeiro aval do comitê.

BRASIL
Guarda própria

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Alexandre de Morais (foto) está em choque com a Polícia Federal. Substituiu sua segurança pessoal por policiais militares de São Paulo. Sempre foi a PF que executou a missão de proteger o ministro da Justiça e chefes de governo estrangeiros em visita ao Brasil. Entre delegados e agentes comenta-se que, se o titular da Pasta dispensa a Polícia Federal, preferindo PMs, desprestigia o órgão. Daí o mal estar.

STF
Cenário possível
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Entre togas ilustres do STF, comenta-se que a presidente Cármen Lúcia homologará logo as delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht, a começar pela do ex-presidente Marcelo Odebrecht, preso desde 2015 e já condenado na Lava Jato. O ato ocorreria antes da abertura do recesso do Judiciário, na quarta-feira 1º. O assunto foi discutido com colegas de tribunal. Com o gesto, ganharia tempo para que um membro da 1ª Turma peça para entrar na 2ª Turma – provavelmente o ministro Edson Fachin (foto) – a quem caberá então relatar a Lava Jato no Tribunal.

OEA
Meia atitude

Poucas horas após Teori Zavascki morrer, a Corte Interamericana de Direitos Humanos disse, em nota, esperar “uma investigação especialmente cuidadosa e célere das circunstâncias do desastre”. A reação inicial de surpresa aqui virou crítica. A Corte não deu um pio em relação a Donald Trump. O presidente dos EUA resgatou o discurso linha dura, enaltecendo a técnica de waterboarding (afogamento simulado) contra suspeitos jihadistas. Tortura não tem legitimidade e fere os direitos humanos, em qualquer parte do mundo.

SUCESSÃO
Mais um

A lista de candidatos ao cargo de ministro do STF não para de crescer. Em meio a pressão de partidos e juristas, outro nome surgiu: Paulo Lucon. Mestre e doutor pela USP, 46 anos, quatro livros publicados, o vice-presidente do Instituto dos Advogados de SP atuou na comissão de juristas que ajudou a elaborar o novo Código do Processo Civil, a pedido da Câmara dos Deputados. Foi Lucon quem defendeu Michel Temer no TSE, na ação em que o presidente foi condenado por doações a campanhas acima do legal, nas eleições de 2014. Ele integra a seleta confraria de amigos do presidente, a quem foi sugerido nomeá-lo.

VEÍCULOS
Arrancada

Janeiro especial para a Jeep. Dois meses após ser lançado, no Salão de São Paulo, o SUV Compass vai assumir a liderança em seu segmento. Foram emplacados 2.507 veículos até terça-feira 24. O novato conquistou mais de 2,2% do mercado – são 30 modelos na categoria. Segundo estudo da montadora, as vendas de SUVS podem bater 540 mil unidades até 2020. O Compass custa a partir de R$ 102 mil, o que torna o feito significativo.

LOTERIAS
Para baixo

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Pelo segundo ano consecutivo caiu o volume de apostas nas loterias federais. A arrecadação de R$ 12,8 bilhões, de janeiro a dezembro, foi 14% menor do que em 2015. A receita somou R$ 13,5 bilhões em 2014. O desejo da maioria das pessoas em ficar rico parece afetado em tempos de crise, pelo menos é o que se deduz diante dessas quedas no movimento das loterias.

VAREJO
Fé no amanhã

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Uma pesquisa concluída na semana passada entre as indústrias de material de construção, pela Abramat (entidade de classe que representa 70% do setor) revelou que 15% dos empresários do ramo estão otimistas sobre suas vendas no curto prazo, nos mercados interno e externo, bem como em relação às ações do Governo, pretensões de investimento e o nível de capacidade industrial, nos próximos 12 meses. Em dezembro do ano passado, o mesmo tipo de sondagem registrou 12% de expectativa positiva.

MINERAIS
Cenário favorável

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O presidente da Vale, Murilo Ferreira (foto), pretende impulsionar os ativos de níquel de companhia apresentando-os como a commoditie da”Vale do futuro”. Explica-se: o metal branco é a matéria-prima das baterias dos carros elétricos.

 


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