Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

Falta compromisso

Arquivo / Agência O Globo

Médico, senador e ministro, Jamil Haddad fez muito pela saúde pública. Patrocinou a fabricação de remédios genéricos no País, por exemplo. No Rio de Janeiro, o Instituto de Traumatologia e Ortopedia que leva o seu nome não honra o homenageado. Relatório do TCU revelou elevada suspensão de cirurgias porque anestesistas da unidade privilegiam o trabalho em clínicas particulares. “Inominável descaso com o serviço público”, frisou o ministro-relator Lucas Furtado, para quem o quadro se agrava pela demora do Ministério da Saúde em processar os faltosos. Segundo o TCU, o problema vem de 2014, afeta a produtividade e prejudica a população.

Brasil
Marcha lenta

Responsáveis por Pastas com recursos cada vez mais escassos (diante das dificuldades do governo na área fiscal) e sem projetos de peso para executar, os ministros de Michel Temer são vistos em Brasília, apenas de terça a quinta-feira – tal como muitos parlamentares. O quadro se agrava porque Temer, empenhado em se defender, tem dado pouca atenção aos Ministérios.

JBS
Não consegue

Fez dois meses que a Advocacia Geral da União tenta conhecer os termos do acordo de leniência entre o Ministério Público Federal e a JBS, envolvendo cerca de R$ 10,3 bilhões. Quer verificar a metodologia e se o valor assegura o ressarcimento de dano aos cofres públicos. A alienação de participações acionárias da holding J&F, controladora da JBS, só aumentou a apreensão na AGU. Para o órgão não cabe ao MPF definir o destino do valor arrecadado.

Justiça do Trabalho
Secando

Divulgação

Ministros da Seção de Dissídios Coletivos do TST estão a cada dia com menos trabalho. A reforma da CLT, que vigora em novembro, anulou os acordos coletivos. Ao fim de um ano serão refeitos de A a Z. Nada de renovação automática das cláusulas sociais, como era comum. Além disso, o STF decidiu que agora será a Justiça comum e não a trabalhista a julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas. Ou seja, a Seção de Dissídios Coletivos atuará com ares de STM, tribunal conhecido pelas poucas sentenças que emite.

Varejo
Recuperação lenta

O comércio brasileiro deve terminar 2017 com recuo de 0,4% nas vendas, em relação ao ano passado, projeta a Associação Comercial de São Paulo. O resultado é mais otimista do que o de maio, quando a entidade esperava retração de 1,4%. O cálculo da entidade considera oito ramos do varejo restrito, como hipermercados, combustíveis e informática, desconsiderando a venda de automóveis e de material de construção.

Política
Quem manda

Adriano Machado
Horas antes da sessão histórica da Câmara dos Deputados que rejeitou a denúncia da PGR contra Michel Temer, o senador Otto Alencar (PSD-BA) falou com o presidente, graças ao ministro Gilberto Kassab, de seu partido. Foi sobre a paralisação de empréstimo do Banco do Brasil para o Estado da Bahia, da ordem de R$ 600 milhões. Ouviu que o negócio melou a pedido do DEM – legenda do prefeito de Salvador, ACM Júnior, e do deputado Rodrigo Maia. O governador Paulo Souto é filiado ao PT.

Lava Jato
A especialista

A prisão pela Lava Jato do ex-secretário de Obras do Rio Alexandre Pinto não é o único fio desencapado para Eduardo Paes. Na cadeia há mais de um mês, Jacob Barata Filho, dono da maior frota de ônibus da cidade, contratou os serviços da criminalista carioca Fernanda Tórtima, especialista em delações premiadas e que já advoga para celebridades como Eduardo Cunha e Sergio “Transpetro” Machado. Os procuradores federais que conduzem as investigações estão convencidos de que o ex-prefeito foi favorecido pelo esquema de corrupção mantido pelo empresário.

Medicamentos
Quanto?

Um mistério ronda o lançamento no Brasil do Spinraza, primeiro remédio no mundo para o tratamento da síndrome de atrofia muscular espinhal. Quanto cobrará a Biogen Produtos Farmacêuticos? A Anvisa vai liberar o registro já, já. Estima-se que 7 mil pessoas tomariam o Spinraza aqui. Nos EUA, cada dose custa R$ 430 mil. Como são necessárias seis no primeiro ano e, depois, três a cada quatro meses, o valor fica astronômico. Ou seja, o medicamento só terá grande uso em nosso País se o laboratório, tal como fazem outros fabricantes de produtos inovadores, der gordo desconto ao Ministério da Saúde. O preço dos remédios modernos assusta todos os sistemas de saúde do mundo. Calcula-se que desenvolver uma nova molécula custe U$ 1 bilhão – bem menos do que a Biogen lucraria apenas no mercado brasileiro.

Escândalo
Rio-Lisboa

Também caçado pela Operação Ponto Final, que expôs as relações promíscuas entre políticos e magnatas do transporte público no Grande Rio, o português José Carlos Lavouras é pressionado por familiares a voltar de Lisboa, onde se esquiva do mandado de prisão expedido contra ele em julho. Tem a opção de ficar na terra natal para sempre, mas isso o afastaria do comando das muitas empresas que possui no Brasil. Os parentes querem que ele se entregue e aceite contar o que sabe em troca de penas reduzidas.

STF
Reta final

Todas as ações envolvendo o uso do amianto no Brasil serão julgadas pelo STF na quinta-feira 10. Mais de 60 países já baniram a produção e o consumo da fibra, considerada cancerígena pela OMS, independentemente de exposição e da espécie geológica. Aqui já se fabrica em larga escala o material sintético substituto, o que favorece o banimento. Em 2008, o supremo julgou legal o fim do amianto por lei estadual, ao analisar decisão do Governo de São Paulo. O placar foi 7 x 3. Mas ações sobre o tema tramitam na Corte desde 2005.

Rio de Janeiro
Marketing político

A julgar pelos gastos da Assembleia Legislativa, o estado do Rio saiu da crise. Os deputados acabam de autorizar a contratação de uma empresa de publicidade para cuidar da imagem da Casa. Gastarão R$ 12 milhões na inutilidade. “Como se comunicar com um público que não está disposto a nos ouvir?”, pergunta o respeitável presidente da Alerj, Jorge Picciani, citado na Operação Quinto do Ouro, que investiga falcatruas no Tribunal de Contas do Estado.

Planalto
Com fôlego

Elza Fiúza/Agência Brasil

Eliseu Padilha foi decisivo para Michel Temer. Ao contrário do período recente, quando parecia mais na dele, talvez em função da cirurgia a qual se submeteu, na semana passada foi vital para convencer deputados a ficarem com o Governo. Vigor notado também quando Michel Temer foi jantar na casa do primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Fábio Ramalho. Os dois elevadores de acesso ao apartamento funcional quebraram: Padilha e o presidente subiram rápido, chegando com fôlego invejável para o papo político, que varou a noite.

Poder
Explicadinho

Divulgação

Muitos deputados não sabiam que, se votassem “não”, Michel Temer sairia da Presidência da República. achavam que ele apenas responderia ao processo. Coube a membros do PSDB, dentre os quais o ministro Aloysio Nunes Ferreira, esclarecer que, se o voto fosse “não”, o peemedebista sairia de pronto do Planalto.

 

 


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