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EUA ameaçam tirar certificação da Colômbia da luta antidrogas

EUA ameaçam tirar certificação da Colômbia da luta antidrogas

O presidente americano, Donald Trump, embarca para a Flórida, onde visitará áreas afetadas pelo furacão Irma - AFP

Os Estados Unidos consideram retirar a certificação da Colômbia como sócia na luta antidrogas – de acordo com um documento divulgado pelo presidente Donald Trump, nesta quarta-feira, apontando uma alta “recorde” na produção de cocaína pelo país sul-americano.

“O governo dos Estados Unidos considerou seriamente designar a Colômbia como um país que não conseguiu cumprir suas obrigações decorrentes de acordos internacionais contra o narcotráfico”, afirmou o presidente em um memorando da Casa Branca, que designa anualmente os países com maior produção, ou tráfico, de drogas.

O descumprimento da Colômbia se deve “ao extraordinário crescimento do cultivo de coca e da produção de cocaína nos últimos três anos, inclusive o cultivo recorde nos últimos 12 meses”, disse Trump no documento, emitido em relação ao ano fiscal 2018, que começa em outubro.

Trump apontou que a Colômbia não perdeu sua certificação de aliada dos Estados Unidos no combate às drogas apenas por causa dos esforços das forças públicas nesse sentido e pela retomada da erradicação de cultivos, a qual havia diminuído de forma considerável desde 2013.

“Vou manter retirada da certificação como uma possibilidade, porém, e espero que a Colômbia faça progressos significativos na redução do cultivo de coca e na produção de cocaína”, insistiu Trump.

Dirigido ao Departamento de Estado, o memorando inclui 22 países vinculados à produção, ou ao tráfico, de drogas ilícitas. Deles, apenas Bolívia e Venezuela foram considerados novamente negligentes em sua luta antinarcóticos decorrente dos acordos internacionais.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, se solidarizou nesta quinta com a Colômbia. Admitindo ter “diferenças” ideológicas com o governo colombiano, liderado por Juan Manuel Santos, expressou “toda a solidariedade com o presidente Santos, diante desse tipo de chantagem e condicionamento nos Estados Unidos”.

Nesta terça-feira, William Brownfield, responsável pelo combate aos narcóticos no Departamento de Estado, expressou a “profunda e crescente preocupação” do governo Trump com o aumento da produção de cocaína na Colômbia, atribuído às negociações do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A Colômbia é origem de 92% da cocaína apreendida nos Estados Unidos, disse Brownfield em uma audiência no Senado. Ele lamentou que, entre 2013 e 2016, justo quando se negociava o acordo de paz – apoiado por Washington -, o cultivo de coca na Colômbia tenha aumentado mais de 130%, passando de 80.500 hectares, em 2013, para 188.000 hectares, em 2016.

A ex-guerrilha seria “o principal facilitador da atual situação dos narcóticos na Colômbia”, segundo ele.

As Farc – que, até completarem seu desarmamento em meados de agosto, foram o maior grupo rebelde da América – admitiram ter usado o narcotráfico como fonte de financiamento para os conflitos.

No histórico acordo de paz assinado em novembro passado, o grupo se comprometeu a ajudar o Estado a combater o tráfico de drogas, algo que Washington questiona. Para a lei americana, as Farc continuam sendo uma Organização Terrorista Estrangeira (FTO, em inglês).