Edição nº2484 21.07 Ver edições anteriores

Emergência na economia

Os números divulgados pelo IBGE na semana que passou não deixam margem a interpretações. O Brasil viveu, nos últimos dois anos, o maior processo de destruição de riqueza de sua história, com a queda de 3,6% do PIB em 2016, depois de um tombo de 3,8% em 2015. Como resultado, os brasileiros ficaram 9,1% mais pobres nesse período marcado pela criminalização dos empresários nacionais combinada com a falência do sistema político. Pouquíssimas nações viveram, em tempos de paz, desastres tão profundos.

Feita a radiografia da tragédia, é chegada a hora de apontar os erros do presente. Ao contrário do que diz o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a recessão brasileira não está no espelho retrovisor. Ela ainda mostra suas garras no presente, ceifando empregos e esperanças. Um dos cenários do próprio governo projeta queda de 1,1% do PIB em 2017 – o que é bastante provável, uma vez que o péssimo resultado do último trimestre de 2016 contaminou esse início de ano.

Até quando os empresários irão aceitar calados a destruição dos seus negócios?

O desastre brasileiro está diretamente relacionado com a implosão do modelo de desenvolvimento nacional, que sempre foi uma espécie de “capitalismo de estado”, agora colocado em xeque pela profusão de casos judiciais que se espalharam pelo País. Era um modelo relativamente injusto, que favorecia eventuais “campeões nacionais”, ou “amigos do rei”, mas que também gerava riquezas e produzia um certo equilíbrio no sistema econômico.

A ilusão dos que combatem esse o desenvolvimentismo é imaginar que, depois da bomba atômica, que destruiu ou encurralou grandes empresas, iria brotar um capitalismo puro no País, gerando novos negócios e oportunidades. Não, o Brasil não terá uma Apple, um Google ou um Facebook. As empresas que são a cara do País são aquelas que estão no noticiário policial – e se esse processo não for contido, em breve o empresário será uma espécie em extinção.

Além disso, em nada contribuem para a reversão das expectativas medidas como o fim da política de conteúdo nacional no setor de óleo e gás, a destruição da indústria naval e a transformação do BNDES num escritório de assessoria a privatizações estaduais. O Brasil está destruindo todos os instrumentos que garantiram seu desenvolvimento recente e caminha aceleradamente para se reconverter em colônia.

Os empresários hoje estão calados porque, de certa forma, foram fiadores da mudança do comando político no Brasil. Mas isso não os impede de apontar os erros do presente. Se não o fizerem, estarão condenados à eterna decadência. E a reversão do quadro atual é ainda mais urgente diante dos sinais de que os EUA estão prestes a iniciar um ciclo de alta de juros, voltando a sugar os capitais internacionais. Ou os empresários brasileiros reagem enquanto é tempo ou morrem.

 


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