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El Niño Costeiro atinge capital do Peru

El Niño Costeiro atinge capital do Peru

Habitantes do bairro popular de Huachipa no leste de Lima recebem ajuda de bombeiros - AFP

O fenômeno climático El Niño Costeiro, que atinge há semanas a costa do Peru, chegou a Lima deixando milhares de pessoas ilhadas em bairros alagados pelo transbordamento dos rios, assim como estradas interrompidas e pontes destruídas.

As fortes chuvas causaram deslizamentos de terra e o aumento do nível de até cinco rios que contornam a capital – onde vivem 10 milhões de habitantes -, criando um caos nunca visto.

As intensas chuvas provocaram o bloqueio de trechos da avenida central, principal via que conecta o centro do país com Lima, e destruíram partes da linha férrea.

“É uma situação difícil, não há dúvidas, mas temos os recursos” para enfrentá-la, disse o presidente Pedro Pablo Kuczynski, que adiantou que avalia declarar estado de emergência em mais de 10 dos 43 distritos de Lima.

O governo anunciou também nesta sexta-feira que destinará 2,5 bilhões de soles (760 milhões de dólares) para reconstruir as áreas afetadas, onde já morreram pelo menos 65 pessoas desde o início do ano por conta dos desastres climáticos, que também deixaram 72.115 desabrigados.

Kuczynski é criticado pela oposição por não ter declarado a emergência a nível nacional, a tempo de enfrentar pedidos para renunciar que Lima abrigue os Jogos Pan-Americanos de 2019, a fim de destinar mais recursos para os atingidos.

Os bombeiros e policiais retiraram centenas de pessoas dos bairros atingidos usando cordas.

A força do rio Rimac derrubou na quinta-feira uma ponte que une os distritos de El Agustino e San Juan de Lurigancho, em Lima.

A capital do Peru também sofre com um severo racionamento de água potável que afeta quase toda a cidade, que corre um alto risco de escassez devido ao transbordamento dos rios, alertou a empresa pública de água potável Água de Lima (Sedapal).

“Desde a noite não captamos água, os rios (que vêm dos Andes) estão cheios de terra”, indicou o presidente da companhia, Rudecindo Vega, que pediu que a população não se desespere.

As fortes chuvas são provocadas pelo superaquecimento das águas do Oceano Pacífico no norte do Peru e a ausência de ventos no Equador.