Edição nº2484 21.07 Ver edições anteriores

A Educação na América Latina

(Foto: AFP)
(Foto: AFP)

Os resultados do Pisa 2015, divulgados ontem pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), confirmaram uma realidade já aguardada por muitos sobre a atual situação do ensino não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina: continuamos na rabeira da educação mundial. Assim como nas edições anteriores da prova, ficamos bem abaixo da média global. Enquanto países como o Brasil e o Peru alcançaram médias de 377 e 387 pontos em Matemática, respectivamente, a média dos países da OCDE foi de 497 pontos. É uma diferença que equivale, aproximadamente, ao aprendizado de três anos letivos! E mesmo o Chile, que é o país de maior desempenho educacional entre os vizinhos latino-americanos, também apresentou uma performance baixa, quando comparado ao mundo desenvolvido e emergente.

Portanto, apesar dos avanços importantes que a América Latina (AL) conquistou em relação à cobertura em todos os níveis do sistema educativo, via crescimento dos investimentos na área, isso não se traduziu em aumento da aprendizagem. O atual sistema educativo da AL não está construindo as competências que devem ser desenvolvidas no século XXI, nem os recursos humanos necessários para melhorar a produtividade e promover o crescimento com qualidade.

Fica evidente que precisamos dar um caráter de urgência a essa questão. Dessa forma, na última semana, o Instituto Ayrton Senna, em parceria com o Diálogo Interamericano, a Fundação Santillana e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, apresentou o relatório “Construindo uma educação de qualidade: um pacto para o futuro da América Latina”. De acordo com o documento, precisamos romper a forte inércia dos sistemas educativos, o que requer esforços concentrados de reformas que gerem mudanças profundas e duradouras. Isso, por sua vez, demanda orientar recursos financeiros, humanos e políticos para aquelas reformas mais estruturantes.

O relatório também trouxe algumas recomendações, que passam por seis principais pilares. Eles são:

1. Desenvolvimento na primeira infância – a ideia é lançar as bases para a aprendizagem das crianças antes que iniciem o ensino fundamental, a fim de servir de base para melhorar o desempenho do sistema escolar latino-americano;

2. Excelência docente – isso passa em aumentar a atratividade dos jovens pela carreira do magistério como também em melhor articular a formação docente com o chão de escola;

3. Avaliação de aprendizagens – é imperativo aqui ter padrões altos que fixem expectativas claras de aprendizagens para todos (pais, alunos, docentes e gestores);

4. Novas tecnologias na educação – como instrumento de permitir abordagens híbridas de aprendizagens numa sala de aula em sintonia com as novas demandas do século XXI;

5. Uma educação relevante – incorporar de forma intencional no currículo escolar as novas habilidades para a vida, as chamadas habilidades socioemocionais, tais como criatividade, pensamento crítico, autonomia e colaboração;

6. Financiamento para o alcance dos resultados – atualmente o investimento público em educação representa, de acordo com relatório, uma média para a região de 4,8% do PIB e de 16,9% do orçamento público, sendo ainda um desafio a questão da eficiência no uso e na distribuição dos recursos nos sistemas educativos na América Latina.


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