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Drones são autônomos e têm vantagem competitiva, diz criadora da Matternet

Drones são autônomos e têm vantagem competitiva, diz criadora da Matternet

A dominicana Paola Santana é co-fundadora da Matternet

Eles chegam a lugares que carros e caminhões não alcançam. São mais baratos que aviões. Dispensam motoristas. Voam, e voam rápido. Os drones prometem uma revolução tecnológica no setor de logística. A Amazon, que lidera a nova era do varejo, já realiza seus primeiros testes no Reino Unido para fazer entregas em até 30 minutos – e aproveitar também para espionar casas e melhorar suas ofertas personalizadas de produtos. No Vale do Silício, a novidade não é tão recente: em 2011 nasceu a Matternet, empresa da dominicana Paola Santana, pioneira na entrega por drones. O que parecia distante é uma realidade cada vez mais próxima: drones que pousam no seu jardim para entregar suas compras.

Inicialmente, a ideia da Matternet era transportar medicamentos e suprimentos em áreas populadas de difícil acesso. A empresa já realizou voos assim no Haiti, na República Dominicana e no Butão. Em março de 2016, em parceria com a Unicef, realizou o transporte de testes e remédios anti-retrovirais no Malawi, um dos países com maiores níveis de incidência do HIV no mundo. Em 2015, começaram os testes para uso comercial da tecnologia e, em setembro de 2016, a empresa recebeu um investimento milionário da Mercedes Benz para apresentar uma solução de transporte autônomo integrando vans e drones. Agora, com as primeiras permissões para voos comerciais nos Estados Unidos e na Suíça, a entrega por drones avança como uma opção mais rápida e barata para os setores de saúde e varejo.

A ISTOÉ conversou com Paola Santana, co-fundadora da Matternet. Leia abaixo o que ela falou sobre tecnologia, infra-estrutura e espionagem.

Como surgiu a ideia de criar a Matternet e o que ela faz?

Criamos a Matternet em 2011, na Singular University, quando a entrega por drones ainda era vista como uma loucura. A ideia era resolver um grande problema do mundo. Nosso objetivo era fazer com que objetos de pouco peso chegassem a lugares pouco acessíveis, onde não há rodovias, por exemplo. Sabemos que o custo de construir uma rodovia é alto. Além disso, em alguns lugares, mesmo quando há rodovias, existe muito trânsito, como em São Paulo. Como podemos pular este problema, conectar essas pessoas? Esse é o problema a solucionar. Nós começamos as operações com a entrega de remédios e insumos médicos em países como Haiti e República Dominicana. Em 2015, começamos o trabalho com empresas comerciais.

Como os drones funcionam?

Nossos drones são realmente bem pequenos. Mas eles podem carregar objetos de até dois quilos por 20 quilômetros com uma troca de bateria. Todo o sistema é controlado por um aplicativo de smartphone que guia o drone ao longo de uma rota segura em espaço aéreo de baixa altitude – entre 50 e 100 metros acima do solo – evitando edifícios altos e também o espaço aéreo. Eles também são equipados com um paraquedas caso haja falhas.

Quais são os benefícios para os consumidores e para as empresas?

Para as empresas, a redução de custos e a vantagem competitiva. Reparar um drone pode ser mais barato do que reparar um caminhão, por exemplo. Além disso, os drones são autônomos, você não precisa da expertise de um motorista, os custos caem dramaticamente. Não é sobre substituir o trabalho de pessoas, mas sobre uma vantagem competitiva. Se o produto chega ao seu centro de distribuição, na zona oeste de São Paulo, às 17h, e precisa estar na casa do cliente, na zona leste, às 17h30, isso é impossível. Com um drone, é possível.

Os drones podem espiar as casas dos consumidores?

É normal que haja questões sobre privacidade. Nosso produto não são dados, é a entrega. Nossos drones estão equipados com câmeras para ajudá-los na decolagem e aterrissagem apenas.

 

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