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Doria aposta em capital estrangeiro para investimentos

Priscila Mengue

Com a economia brasileira em crise, o prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) conta com o capital estrangeiro para levar à frente seu programa de desestatização e ampliar a capacidade investimentos do Município em seu mandato, até 2020. A gestão prevê investir neste ano só 18% dos R$ 5,5 bilhões – cerca de R$ 1 bilhão – previstos no Orçamento, como a reportagem mostrou neste domingo, 16.

“Investimento internacional existe, e, surpreendentemente, há confiança no Brasil. Independentemente das turbulências políticas, há confiança no País”, afirmou Doria neste domingo. Os “road shows” no exterior são uma estratégia para divulgar o plano de desestatização e atrair recurso externo. Nesta semana, Doria deve embarcar para a China.

O plano inclui negociações diversas de equipamentos públicos, como a venda do Autódromo de Interlagos. A iniciativa privada, diz Doria, entende que os projetos são de retorno a médio ou longo prazo. A ideia é arrecadar com o plano entre R$ 5 bilhões e R$ 7 bilhões.

“Não vamos gastar sem responsabilidade para chegar depois, em setembro, e termos caos, uma situação dramática na vida da cidade, com interrupção de serviços de saúde, educação, limpeza, serviços básicos e salários”, acrescentou Doria.

A Prefeitura vai priorizar projetos que têm parte da verba garantida pela União: como o corredor de ônibus do Capão Redondo, na zona sul, e a ampliação do terminal de ônibus de Itaquera, na zona leste. “Não vamos conseguir fazer todas as 60, 70 obras que estão iniciadas, mas, com priorização e gestão de orçamento, essas obras vão acontecendo ao longo do tempo”, disse Caio Megale, secretário municipal da Fazenda.

Segundo a Prefeitura, o corte nos investimentos foi motivado pela alta de 83% nos gastos de custeio nos últimos cinco anos e a redução de verbas federais. Também cita gastos de R$ 3 bilhões não previstos no orçamento e a crise econômica.

Já a equipe do ex-prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou que Doria confunde rombo orçamentário com “frustração de receitas” por causa da crise.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.