Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

Donald Trump e o “Massacre de Sábado à Noite”

PRESENTE E PASSADO Comey em sua casa, após ser demitido por Donald Trump, e Richard Nixon, em 1973: exonerações mal explicadas derrubam presidentes nos EUA
PRESENTE E PASSADO Comey em sua casa, após ser demitido por Donald Trump, e Richard Nixon, em 1973: exonerações mal explicadas derrubam presidentes nos EUA (Crédito:Sait Serkan Gurbuz)

Demissão de diretor do FBI tem efeito de míssil na política interna dos EUA. É fácil entender. Em cento e dez anos de existência da instituição apenas dois de seus diretores foram exonerados. A primeira baixa se deu na gestão presidencial de Bill Clinton porque o número um da polícia federal americana valeu-se do cargo para usufruir de vantagens pessoais. A segunda

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Divulgação

queda acaba de acontecer com Donald Trump na Casa Branca. Ele defenestrou James Comey (escolhido por Barack Obama) numa história mal contada. Comey chefiava a investigação sobre a participação do governo russo na vitória de Trump, estava chegando a conclusões pouco confortáveis ao presidente americano e pedira mais verba para acelerar o trabalho. Tudo isso o derrubou (soube pela televisão que fora demitido), mas a Casa Branca criou a fantasiosa versão de que a sua saída “deve-se à incompetência”. O enredo se complicou ainda mais porque gente do próprio FBI foi ao Senado e declarou que Comey mentira ao dizer na campanha presidencial que localizara “centenas de emails comprometendo Hillary Clinton” – são meia dúzia e sem a menor relevância. Isso pouco tem a ver com a exoneração, mas embaralhou o jogo e ajudou Trump na mentira. Os americanos já comparam a situação ao “Massacre de Sábado à Noite”, episódio de 1973 no qual o presidente Richard Nixon deu politicamente um tiro no próprio pé: exonerou Archibald Cox, procurador especial que investigava o escândalo Watergate. Em nove meses Nixon teve de renunciar. Se o plano de Trump era paralisar as investigações envolvendo a Rússia, também ele acertou o pé sem querer: uma comissão independente (mais rigorosa porque apolítica) deverá ser formada para concluir até onde Vladimir Putin se imiscuiu na eleição à presidência dos EUA.

66%

das mães adolescentes no Brasil não planejaram a gravidez – e das 3 milhões de crianças nascidas vivas no ano passado, 18% são de jovens com idades entre 10 e 19 anos. Uma boa notícia é que o número de adolescentes grávidas teve redução de 17%. Os dados são do Ministério da Saúde.

Justiça
A volta de Adriana Ancelmo à cadeia é para já. Ou melhor: para ontem!

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Fernando Frazão/Agência Brasil

A advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, esteve presa em Bangu sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. Hoje está em prisão domiciliar porque a Justiça lhe concedeu tal privilégio. Descobriu-se agora que, no tempo em que esteve trancafiada, ela resgatou R$ 1,2 milhão em conta de previdência privada. Mais: levantou tal quantia, mesmo estando esse dinheiro judicialmente bloqueado. Vale a seguinte pergunta ao Judiciário: se, de dentro de uma cela, Adriana opera com tal desenvoltura em contas indisponíveis, que falcatruas ela não cometerá estando aqui fora em prisão domiciliar? O MPF quer reconduzi-la a Bangu. Dúvida zero de que lá é o seu lugar. E com vigilância redobrada.

Educação 
As mochilas de Jequié não têm graça

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Reprodução

Quase tudo no País vira motivo de brincadeira. Somos cordiais? Não. Somos muitas vezes perversos. A Prefeitura da cidade baiana de Jequié comprou dezoito mil mochilas enormes para alunos que ainda são crianças bem pequenas — as mochilas são quase do tamanho delas, como mostra a foto. O assunto é sério porque isso causa lesões ortopédicas, e os alunos sofrem ao carregá-las. Mesmo assim, virou motivo de graça nas redes sociais.

Saúde
O Brasil vence a dengue

Boa notícia para os brasileiros: caiu, e muito, o número de casos de dengue, zika e chikungunya no País. Dados do governo federal registram uma diminuição de 89% em relação à dengue no período que abrange o começo do ano e meados do mês passado, isso em comparação ao mesmo intervalo de tempo de 2016. O número total de infectados, até 15 de abril de 2017, foi 113.381.

Cidades
Com fome e sede, catapora e tuberculose, índios venezuelanos invadem Manaus

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Bruno Kelly/Folhapress

Foi decretado estado de emergência em Manaus. Cerca de seiscentos índios venezuelanos da etnia warao invadiram a cidade. Fogem da hecatombe econômica em seu país. Primeiro tentaram a sorte em Boa Vista, onde muitas índias se prostituíram. Diante de tanta penúria, migraram para Manaus. O mais grave é que os warao estão infectados pela tuberculose e catapora (uma criança morreu na rodoviária de Manaus e um homem no centro da cidade). “Em Boa vista estávamos protegidos, mas sem comida. Era arroz com osso todos os dias. Aqui em Manaus estamos sem teto, mas tem comida diversificada”, diz o índio já aculturado Anibal Perez.

Petrobras
Vende-se a refinaria de Pasadena. Aquela!

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Reprodução

A Petrobras anunciou que a refinaria de Pasadena, nos EUA, está à venda. Assim como a subsidiária africana Oil & Gas B.V.Motivo: a estatal brasileira quer recuperar US$ 21 bilhões até o final do ano que vem. O Brasil comprou 50% de Pasadena em 2006, sangrando os cofres públicos em US$ 360 milhões — golpe no erário, porque um ano antes a refinaria inteira custara à Bégica somente US$ 42,5 milhões. Pouco depois o governo brasileiro se desentendeu com os parceiros belgas e adquiriu os 50% restantes da empresa. Outro golpe: superfaturada, ela saiu por US$ 1,18 bilhão. Tudo se deu quando Dilma Rousseff comandava o conselho da Petrobras.

 


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