Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

Diretas amplas, gerais e restritas

Foi com alegria, entusiasmo cívico e muito orgulho que em 1984 ajudei a ocupar a Praça da Sé e o Vale do Anhangabaú para gritar por Diretas Já! Era preciso varrer a ditadura e aquele era o momento. Nada de máscara no rosto, muito menos mochila com artefatos bélicos. Nada de destruir. A hora era de construção. Animado pelos discursos dos líderes políticos e dos anistiados que ousaram desafiar os militares, pelos hinos entoados por Fafá de Belém e pela energia emanada de Osmar Santos, enquanto exigia o direito de eleger um presidente, não me opus a vender bottons vindos diretamente de Havana para, pasmem, ajudar nas finanças do PT. Como já disse, o fiz com muito orgulho e com a certeza de que estava ajudando a redigir a história da redemocratização.

Hoje, me incomoda profundamente ver a graúna do mestre Henfil e o grafismo das Diretas Já serem usados de maneira tão vil. Emoldurando palavras de ordem cabotinas que buscam apenas iludir uma parcela da juventude que reclama maior participação política, mas que na verdade servem apenas para tirar o foco da corrupção e da bandidagem que cooptou boa parte daqueles que um dia se postaram contra os militares. Não, desta vez eles não foram parar na Papuda ou em outras prisões por razões ideológicas. Foram presos e estão prestes a ser condenados por corrupção! Usar as Diretas Já para construir uma narrativa diferente é pura manipulação, com elevadas doses de maldade. Vejamos: Tanto o Executivo (atual e anterior, federal e estaduais) como o Legislativo e até parte do Judiciário encontram-se envolvidos no lamaçal da corrupção. Então porque não brigamos por Diretas já, amplas, gerais e restritas? Ampla e geral, porque além de presidente quero também eleger governadores, senadores e deputados que não estejam envolvidos com a roubalheira. E restrita, porque a disputa deveria
ser proibida àqueles que estejam comprovadamente envolvidos.

Será que desse jeito os que hoje bradam por Diretas e insistem em levantar a graúna de Henfil teriam disposição para ir às ruas? Será que Gleisi Hoffman e Lindbergh Farias, por exemplo, abririam mão dos meses que lhe restam de mandato? E a militância paga, que serve de massa de manobra, será que abriria mão dos cargos de confiança em gabinetes suspeitos? Claro, deve haver gente muito bem intencionada em todo esse processo, mas a esses não cabe o direito à ingenuidade.

Me incomoda profundamente ver a graúna do mestre Henfil e o grafismo das Diretas Já serem usados de maneira tão vil

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