Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

A diáspora cultural no Rio de Janeiro

RUMO À ÁUSTRIA Márcia Jaqueline, primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro: “nunca quis morar fora do Brasil, mas preciso aproveitar o convite porque a carreira de bailarina não é longa” (Crédito:FÁBIO MOTTA)

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro guarda na origem de sua arquitetura, inspirada na Ópera de Paris, um pecado original – aliás, o mais brasileiríssimo dos pecados, o da corrupção. Deixemos claro, de saída: artistas e funcionários nada têm e nunca tiveram a ver com tal gatunagem. O Theatro resistiu o quanto pôde, e lá se vai mais de um século dessa casa inaugurada em 1909 pelo presidente Nilo Peçanha.

Agora, baqueou. Por que? Porque ao longo desse tempo foi tanta a bandalheira de governadores e prefeitos por ele responsáveis, que lhe seria impossível não acusar os golpes: fisicamente, está inabalado sobre as suas 1.180 estacas de madeira de lei; já em sua alma, que são o balé, o coral e a orquestra sinfônica, nisso o Theatro agoniza.

E assim começou, na semana passada, a diáspora nesse que é um dos maiores símbolos culturais do Brasil. A primeira-bailarina Márcia Jaqueline (posto mais alto no balé, já ocupado por Bertha Rosanova e Ana Botafogo) vai mudar-se para a Áustria. Márcia ama dançar no Rio de Janeiro, mas para amar e dançar precisa sobreviver – e faz tempo que os recursos públicos disseram adeus às artes nesse País: “a carreira é curta, preciso aproveitar o convite e cuidar da sobrevivência”.

Na diáspora também estão o primeiro-bailarino Filipe Moreira, que se tornou motorista de Uber para ganhar a vida, e Anderson das Neves, que do balé passou a mototaxista. O pecado original do Theatro está lá longe no tempo, está na escolha de seu projeto arquitetônico: o filho do prefeito Pereira Passos ganhou a licitação com uma proposta anônima. Já nos dias atuais é tamanho o desvio de recursos que não há dinheiro para pagar sequer uma sapatilha. A diáspora começou. Não vai ter fim.

R$ 700 milhões
é a verba definida pelo governo federal de ajuda ao Rio de janeiro. O dinheiro se destinará à área da segurança. Uma das exigências de Brasília ao governador Luiz Fernando Pezão é que o valor seja empregado também na compra de munições e abastecimento de viaturas, não apenas no aumento da força policial – aumento esse que ficará por conta da Força Nacional.

SOCIEDADE
Um segredo congelado nos Alpes por 75 anos

HANDOUT
Chegou ao fim o sofrimento de Marceline Udry-Dumoulin, 79 anos. Devido ao derretimento de uma geleira nos Alpes Suíços foram encontrados os corpos de seus pais, Marcelin e Francine Dumoulin, soterrados na neve desde 1942. “Passei a vida procurando por eles”, diz ela. “Essa notícia me dá um sentimento de calma.” Marcelin e Francine, segundo a hipótese mais plausível na opinião de todos os especialistas que estudaram o caso, provavelmente caíram em uma das fendas que existem no gelo e não conseguiram voltar à superfície. Os corpos foram agora localizados a 2,6 mil metros de altitude, ambos com os documentos preservados nos bolsos das roupas.

CORRUPÇÃO
Tunga nos mortos?

Reprodução
Lidiane Leite, ex-prefeita “ostentação” de Bom Jardim (MA), ficou famosa pelas acusações de desvio de verbas e exibição de riqueza. O MP a processa agora por ilicitude na compra de 300 urnas funerárias, numa cidade em que não morrem mais que 20 pessoas por ano. Ela feriu o “princípio de impessoalidade” ao taxar os caixões como “populares, de luxo e alto luxo”.

FUTEBOL
Ricardo Teixeira e a ordem de prisão

Harold Cunningham
O MPF vai solicitar que o processo envolvendo o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira seja transferido da Espanha para o Brasil. A juíza espanhola Carmem Lamela expediu ordem internacional de captura do cartola, que até agora não foi cumprida, aqui, porque o País não tem tratado de extradição com o governo espanhol. Teixeira é processado por desvio de dinheiro em jogos da seleção brasileira.

URUGUAI
Começou a venda de maconha em farmácias

Tiago Queiroz

Nem o frio nem as intermináveis filas impediram que uruguaios transformassem a quarta-feira 19 em um dia histórico no país. Pela primeira vez, quem quis comprar maconha para uso recreacional pode fazê-lo, em uma das dezesseis farmácias que estão autorizadas a vender a droga (o usuário tem de estar cadastrado e se limitar ao consumo diário de determinada quantidade de gramas). Os estoques de maconha viraram fumaça em poucas horas. Ainda não é possível dizer se a política de legalização da maconha dará certo. Motivo: o índice de delta-9 tetrahidrocanabinol, principal psicoativo da planta, é inferior ao da droga traficada.

CRIME
As voltas que o mundo dá…

FÁBIO MOTTA
O mundo dá voltas e, às vezes, termina na cela nove da cadeia de Benfica, no Rio de Janeiro. Quando Sérgio Cabral instaurou em 2011 as UPPs, vendendo a ilusão de que aquilo era política social e não máquina de extorsão e tortura (lembrem de Amarildo), ele criticou a Justiça porque concedera liberdade ao ex-PM Flávio dos Santos, acusado de associação com o tráfico. A pressão de Cabral o reconduziu à prisão e ele passou a odiar o ex-governador. O mundo girou. Agora, também Cabral está trancafiado sob a acusação de aniquilar a coisa pública. A ambos o destino reservou a mesma cadeia e a mesma cela: a de número nove. A raiva de Flávio amainou. Dizem que ele é segurança de Cabral no presídio.

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