Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

Desdobramentos da narrativa

Comum a qualquer político que se sente ameaçado pela Justiça, o instinto de sobrevivência nunca falou tão alto em Brasília. Dessa vez, porém, com um agravo: são tantos os nomes, e tão intrincadas as alianças, que pasteurizar as críticas virou lugar comum. Pior ainda, não falta quem instrumentalize a insatisfação generalizada para esgueirar-se dos seus próprios pecados. Um bom exemplo disso aconteceu durante a semana que passou, com a prisão do ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Alardeou-se por toda a imprensa e redes sociais o seu estreito relacionamento pessoal com Michel Temer e o fato de ele ter sido ministro do atual governo, mas nem todos ressaltaram suas passagens pelos mandatos de Lula e Dilma. Ou que sua prisão se deu por conta de crimes cometidos enquanto ocupava a vice-presidência da Caixa, entre 2011 e 2013, precisamente durante o período em que Dilma esteve no poder.

Idêntica estratégia foi adotada, diga-se, com Romero Jucá, hoje líder de Temer, mas também responsável pelas articulações durante as gestões petistas e inclusive na de Fernando Henrique Cardoso. Ora essa, o próprio presidente, cantado em verso e prosa como grande aliado do petismo até o afastamento de Dilma, é hoje repudiado como se fosse inimigo figadal de longa data. Vale dizer, ninguém se torna grão-mestre desse PMDB e aceita compor chapa com o PT por bom comportamento. Só por esse motivo, Temer e a trupe peemedebista já não mereceriam defesa. A verdade, entretanto, é que precisar os acontecimentos como são, não como os políticos, seus partidos e militantes gostariam que fossem, nada tem a ver com defender quem quer que seja. Trata-se, tão somente, de correção histórica. De tomar as precauções necessárias em um momento especialmente desalentador, propício para quem sempre está disposto a massificar narrativas.

Pois, sim, no que depender da esquerda reconhecida — Partido dos Trabalhadores, Rede, PSOL e adjacências — será exatamente essa a estratégia visando às próximas eleições: disseminar meias verdades de modo a encobrir episódios inconvenientes.

Não será algo inédito, uma vez que tal comportamento é usual na política, mas serão os primeiros a tentar fazê-lo enquanto ostentam um débito de 13 anos com o País. Oxalá que fracassem.

Não falta quem instrumentalize a insatisfação generalizada para esgueirar-se dos seus próprios pecados


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