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Depois da vitória, virá a fatura

A  vitória de Michel Temer no último 2 de agosto, numa sessão infame da Câmara dos Deputados, ainda não foi totalmente paga por você. Segundo um levantamento do jornal Valor Econômico, os 263 votos custaram nada menos que R$ 13,4 bilhões, entre emendas parlamentares e favores aos setores que dominam o Congresso, como o ruralista. Ou seja: R$ 51 milhões por deputado.

Esse buraco no orçamento federal é mais do que Temer conseguirá arrecadar com o aumento dos combustíveis – o maior dos últimos 13 anos. Se vier a ser definitivamente liberado pela Justiça, o tarifaço da gasolina trará uma arrecadação da ordem de R$ 10 bilhões, o que demonstra como custa caro ao País manter um governo sem legitimidade e sem autoridade moral. É justamente nessa hora que os ratos do parlamento fazem a festa.

A vitória de Temer custou mais do que o recente aumento de impostos e também quebrou uma promessa da equipe econômica. Para quem não se lembra, Henrique Meirelles dizia que, com o teto de gastos, que congelou despesas públicas por vinte anos, não seria necessário elevar tributos. Era mentira. Os gastos estão congelados, as universidades estão parando, o Exército não tem recursos para despesas básicas e, mesmo assim, veio a paulada dos combustíveis.

Os próximos capítulos desse filme de terror terão como cenário a economia. Mesmo autorizado a produzir um rombo de R$ 139 bilhões, Meirelles não deu conta da tarefa. Seu “ajuste fiscal”, que na verdade nunca existiu, vem produzindo rombos mensais de R$ 20 bilhões e o déficit acumulado em 12 meses já bateu em R$ 160 bilhões. É elementar: uma economia em depressão e zero de investimentos deprime as receitas públicas.

Meirelles está agora diante de duas escolhas: rever a meta, e se desmoralizar, ou promover novos aumentos de impostos. Ou seja: a conta para o contribuinte pode se tornar ainda maior. E nada indica que o apetite dos aliados de Temer será saciado. Na prática, o Brasil passou a ser governado pelo chamado “centrão” da Câmara dos Deputados, onde a única ideologia é o patrimonialismo – ocupar a máquina pública e se lambuzar até o limite.

É trágico e ainda pode piorar. Antes de deixar a Procuradoria-Geral da República, em setembro, Rodrigo Janot gastará seu estoque de bambu para apresentar mais uma ou duas denúncias contra Temer. Os deputados dobrarão a fatura e você será convidado mais uma vez a pagar o banquete.

De um lado, Temer terá que rever a meta fiscal e talvez aumentar impostos. De outro, os aliados cobrarão pelo apoio

Um dia, quem sabe, economistas irão se dedicar a levantar o custo fiscal da destruição da democracia brasileira. Primeiro, em 2015, quando a presidente Dilma Rousseff foi sabotada pela política do “quanto pior, melhor”. Depois, em 2016, com os favores concedidos por Temer para passar de interino a efeito na presidência. Agora, em 2017, com a farra de gastos para que ele se salvasse. Nunca antes na história deste país se gastou tanto dinheiro por uma causa tão vil.


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