Edição nº2471 20.04 Ver edições anteriores

Demografia do crime

109Dizem que números não mentem. Sei lá… Sempre fui um desastre em cálculo e suspeito que, nesse planeta maluco que devoramos, até a Matemática é vulnerável a cambalhotas.

O enunciado a seguir mais pretende valer-se de “contabilidade criativa” do que da exatidão aritmética. A questão da prova é a seguinte: onde se abriga a escória da sociedade brasileira? Cuidado com a pegadinha! Você pode, seguindo o senso geral, citar os presídios. Ou as áreas carentes onde os bandidos dão as cartas.

A conta da verdade é outra. A “lista do Fachin” expõe delações de crimes cometidos por donos da política nacional. Aplicadas as respectivas porcentagens, levando-se em conta a população total de cada grupo, chegamos às taxas setoriais de delinquentes. Elas correspondem a 29,6% de senadores (24 nomes), 44% de governadores (12  nomes), 28,5% de ministros (8 nomes), 7,6% de deputados federais, 100% dos ex-presidentes vivos (5 nomes) e 100% do presidente em exercício (1 nome).

Todos se dizem indignados e puros, mas entre os mais de 600 mil internos do sistema penal brasileiro essa também é a ladainha majoritária. Sendo assim, fiquemos com os números, “que não mentem jamais”.

A comunidade considerada mais violenta do Rio de Janeiro é o Morro do Chapadão, na Zona Norte carioca. Ali, os traficantes exercem domínio territorial absoluto, impondo regras ao comércio, cobrando taxas, determinando toques de recolher e controlando com mão de ferro o ir e vir na área – mesmo o da PM. Ainda assim, esse poder absoluto é exercido, segundo a polícia, por um contingente com não mais de 100 criminosos – ou “apenas” 0.33% da população de 30 mil almas com endereço no local. Uma ninharia, diante das escalas vistas no Congresso, nos Ministérios, no Planalto de hoje e de outrora e nos palácios estaduais.

Mesmo nas penitenciárias, se forem excluídos os condenados por posse e uso de drogas, que a ONU defende descriminalizar, os que já cumpriram a penas e continuam na jaula, os condenados injustamente e (por que não?) os que foram levados à delinquência pela vida cachorra imposta aos pobres, o quociente de inocência superará o de todos os núcleos de poder da República. Enfim, responda aí: “onde se abriga a escória da sociedade brasileira?”.

Justiça do Trabalho
Mancha na ficha

Pode uma empresa pedir negativa de antecedentes criminais antes de admitir uma pessoa? A resposta será dada na quinta-feira 20, por 17 ministros que compõem a subseção de dissídios individuais do TST. Hoje, admite-se a exigência da certidão em situações especiais, como na contratação de agentes de segurança. Críticos vêem a iniciativa como barreira à ressocialização do preso. Vale lembrar que no País uma lei proíbe emitir certidão positiva a apenado, mesmo após acerto com a Justiça.

Ética
A fé do “xerife”

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Responsável por implantar na prática a CGU no Governo Lula, Jorge Hage acaba de abrir consultoria em Brasília com outros sócios. Oferece ao mercado serviços de análise de riscos corporativos, implementação de programas de compliance e de prevenção à lavagem de dinheiro. A Lei Anticorrupção de 2013 e a Lava Jato, segundo Hage, potencializam o negócio: “a impunidade está começando a acabar e um bom programa de compliance evita envolvimento em corrupção e a atenuar as sanções, nos casos em que isso ocorra”.

Planalto
Promessa é dívida?

Pairam dúvidas quanto a disposição de Michel Temer de cumprir a promessa pública, feita em fevereiro, de afastar auxiliares diretos que venham a ser denunciados à Justiça. Há dias o secretário Nacional da Juventude, Francisco de Assis Filho, ligado ao PMDB, ostenta essa condição. Caso o Planalto queira checar, o site do TJ do Maranhão mostra o talentoso rapaz como réu em processo por crime de peculato, falsidade ideológica, falsificação de documentos e participação em organização criminosa. Ele teria desviado dinheiro público nomeando funcionários na paupérrima Prefeitura de Pio XII.

Minas Gerais
É graduado

Até a semana passada era certa a ida de Lula a 66ª entrega da Medalha da Inconfidência, marcada para sexta-feira 21, em Ouro Preto. O governador Fernando Pimentel  (PT) o chamou para ser o orador da solenidade. Há reações, inclusive queixa no Ministério Público estadual. Teme-se que o ex-presidente use o espaço como palanque para 2018 e, ainda, para se defender das acusações da Lava Jato. Se quiser, Lula pode chegar a Minas exibindo no peito o Grande Colar da Inconfidência – que lhe foi entregue por Aécio Neves, em 2003.

Lava Jato
Réu de novo

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Os 16 pedidos de abertura de investigações contra 9 governadores que Edson Fachin (STF) enviou ao STJ serão relatados pelo ministro Luis Felipe Salomão. Uma situação curiosa é a do acreano Tião Viana (PT), a ser investigado por falsidade ideológica eleitoral. Ele já foi alvo da Lava Jato, acusado de ter recebido R$ 300 mil da Iesa Óleo e Gás. O caso acabou arquivado a pedido da PGR. O órgão entendeu não haver provas de que Viana soubesse que o dinheiro usado em sua campanha veio de desvios na estatal.

Lava Jato
Na mira

A PF investiga se há funcionários da Caixa envolvidos em irregularidades nos investimentos públicos feitos com dinheiro do FGTS. A suspeita surgiu após o ex-diretor da Odebrecht, Benedito Júnior, afirmar que pagou R$ 4 milhões a André Luiz de Souza, ex-assessor da CUT no Conselho do FI-FGTS. A grana seria contrapartida da compra, por R$ 3,5 bilhões, pelo Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, lançado pela Prefeitura do RJ, para custear obras na região central da cidade, feitas por empreiteiras alvos da Lava Jato.

Delação da Odebrecht
Já, já

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“Eu só falo nos autos” afirmou Eliseu Padilha, logo após saber que será investigado pela Procuradoria Geral da República, a partir das delações de executivos da Odebrecht. Não será bem assim. Tanto o chefe da Casa Civil como os ministros Moreira Franco (foto) e Gilberto Kassab serão chamados a dar explicações à Comissão de Ética, se assim for decidido na reunião do colegiado, dia 27.

Sétima Arte
Rir em cartaz

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Sete dos dez filmes nacionais de maior bilheteria em 2016 eram comédias. E esse ano vai pelo mesmo caminho. Pelo menos uma produção por mês chegará às salas no primeiro semestre. O próximo lançamento do gênero, agora em maio, é “Ninguém Entra Ninguém Sai”, inspirado em texto de Luis Fernando Veríssimo e dirigido por Hsu Chien. Conta as aventuras de quatro casais de amantes que se veem presos num motel por um cerco policial que atraiu a imprensa e muitos curiosos. Danielle Winits, Rafael Infante, Leticia Lima, Paulinho Serra e Anselmo Vasconcellos (foto), entre outros, estão no elenco – assim como esse colunista, em sua estreia na telona, rumo ao Oscar.

Tv
Guerra é guerra

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A Globo está apostando nas multimídias. “Brasil a Bordo”, novo seriado de Miguel Falabella, com Arlete Salles e Marcos Caruso, por exemplo, antes de chegar à TV aberta, no ano que vem, passará a ser exibido, nas próximas semanas, na Globo Play. Uma resposta ao NetFlix.

 


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