Edição nº2466 17.03 Ver edições anteriores

Conte outra

O presidente Michel Temer não se convenceu de que a segunda “Lista de Janot”, com pedido de abertura de investigação contra mais de 70 parlamentares possa servir de pretexto para atrasar a votação da Reforma da Previdência. Segundo interlocutores do presidente, essa tese vem sendo vista no Palácio do Planalto como apenas uma entre tantas tentativas dos legisladores de tirarem mais um naco do governo ao colocar o bode na sala. Porém, com ou sem lista, deputados e senadores relatam a forte pressão dos eleitores para que não mexam na aposentadoria. Reclamam mais do que sobre corrupção. Para tentar dar mais argumento aos congressistas, Temer está fazendo rodadas de conversa. Esteve em jantar com PMDB, visitou a bancada do Tocantins e reuniu-se com o PSB. A agenda continua.

Conte essa

Quase sempre acompanhado pelo ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, ou do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, Temer tem dito aos parlamentares que se aprovarem a Reforma da Previdência, o País vai crescer 3% no ano que vem. Com efeitos imediatos, como a retomada dos empregos em ano eleitoral.

Pago antes

O governo decidiu que vai “pagar” antecipadamente a bancada do PMDB de Minas no Congresso em troca de apoio na nova Previdência. Primeiro vai criar um Ministério para o grupo ocupar e só depois terá a primeira votação. Ao ser indagada se esse “toma lá dá cá” não era ruim, alta fonte do governo disse: “Ruim é não aprova-lá”.

Nos detalhes

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Se o diabo mora nos detalhes, é justamente com eles que o Palácio do Planalto está preocupado. O temor é com o detalhamento dos pedidos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deve expor escandalosas informações para justificar investigações das denúncias de corrupção. Como por exemplo número de conta no exterior, valores de propina. Isso na imprensa e redes sociais é explosivo, avalia-se.

Rápidas

* Para o governo, a Lista de Janot trouxe duas surpresas: a inclusão do ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB), e a ausência de Mendonça Filho (DEM), que comanda o Ministério da Educação.

* O programa partidário gratuito do PMDB, que estreia nas TVs e rádios nos próximos dias, vai concentrar todos os esforços para reforçar a autoria da liberação do FGTS inativo, o maior sucesso junto à opinião pública de Temer até agora.

* Além disso, os filmes vão bater bumbo quanto às melhoras na economia, como controle da inflação, freio no ritmo de queda da economia, melhora nas perspectivas de nota de agências de risco e inversão da curva do desemprego.

* A ideia é que Michel Temer não faça nenhuma fala para o programa. Mas será produzida sequência com trechos de discursos importantes, como na inauguração de uma parte da transposição do rio São Francisco, no Nordeste.

Retrato falado

“Já estive mais convicto sobre o fim da isenção tributária das igrejas”
“Já estive mais convicto sobre o fim da isenção tributária das igrejas”

O senador José Medeiros (PSD-MT) iniciou a relatoria do projeto para cobrar impostos de igrejas de forma quase convencido de que esta seria uma boa solução. Mas à coluna, admitiu que quanto mais ouve líderes religiosos, menos certeza tem. Ficou preocupado com argumentos de que a medida pode comprometer trabalhos sociais em comunidades carentes. Ouviu que se instituições como a Receita Federal funcionarem bem, os templos criminosos podem ser punidos sem prejudicar os demais.

Futebol é saúde

Dor de cabeça ao prefeito de Salvador ACM Neto (DEM). O Ministério Público viu indícios mínimos de improbidade administrativa na contratação de uma empresa, por R$ 6 milhões, para construir unidades de saúde e iniciou investigação sobre o secretário de Saúde, José Rodrigues. A vencedora da licitação, a AGL Serviço e Comércio, afirmou que foi obrigada pela Secretaria de Saúde a construir um campo de futebol em um dos locais previstos para o posto de saúde, mesmo não sendoobjeto da licitação. Por isso, a prefeitura rescindiu o contrato e chamou a segunda colocada, a AIF Brasil Construções. A AGL acionou imediatamente o MP.

Cachoeiras

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O governo federal está tentando ampliar a área de preservação do parque da Chapada dos Veadeiros, mas o governador de Goiás, Marcone Perillo, trabalha para que esse aumento seja reduzido. Ele esteve em Brasília há poucos dias brigando por ampliação menor. O local, além de pólo turístico, conserva nascentes de rios, a fauna e flora.

Longo caminho

Esforço concentrado reduziu o número de inquéritos de feminicídio. De um total de 2.686, 1.420 viraram denúncia, 90 foram arquivados, 86 desclassificados e 1.090 investigações estão em curso. Os dados foram apresentados pelo conselheiro Valter Shuenquener, do Conselho Nacional do Ministério Público, em painel de evento da ONU, em Nova York, esta semana.

O amor está no ar

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Altíssimas autoridades do Executivo e do Legislativo “descobriram” novo estimulante sexual. Um deles viajou e trouxe a novidade para amigos, que logo se espalhou. A vantagem, segundo relatos, é que vem em formato de tira que dissolve na boca. Não precisa de água para deglutir e o efeito começa mais rápido, garentem.

Toma lá dá cá

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Senadora Marta Suplicy (PMDB-SP)

A CCJ aprovou o seu projeto que autoriza a união estável e o casamento homossexual. Mas houve pedido de emenda contrária…
Os parlamentares têm o direto de se manifestarem democraticamente. Mas isso é uma matéria vencida, datada. É um absurdo ser contra até o que o STF já se posicionou e que a sociedade já assimilou.

A sociedade está caminhando para trás, como a proposta de retroceder, por exemplo, em casos de aborto já autorizados pela lei?
Tivemos uma liberalização da sociedade muito grande, ela foi reprimida na ditadura, mas que desabrochou na TV Mulher (exibido na década de 80 com a participação de Marta). Naquela época, discutíamos coisas tipo se a masturbação podia dar pelo nas mãos, se a homossexualidade era doença e a necessidade da virgindade. Hoje, temos outra discussão de direitos individuais. Especialmente com as redes sociais, quem não tinha voz para nada hoje tem influência. Então avançamos.

O debate deste projeto na Câmara será difícil?
É claro que haverá uma discussão forte, mas tenho certeza de que vão decidir o que já é prevalecente na sociedade.


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