Edição nº2479 15.06 Ver edições anteriores

Caetano e Chico: Dá para entendê-los?

Causa-me espanto e não pouca tristeza ver artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso engajados nessa campanha inglória contra o impeachment de Dilma Rousseff e até contra o enérgico combate que a Justiça vem dando à corrupção. Tal combate, como ninguém ignora, é o responsável principal pelo enorme avanço político e moral que o Brasil está vivendo. Ver o grande Chico Buarque com aquela cara amassada, ao lado de Lula, no dia da votação final do impeachment, francamente, foi de doer. E dias depois, a demagogia de Caetano Veloso convocando o auditório para o “fora Temer”, num de seus últimos shows – outra dose para leão. Tenho em vão tentado compreender por que embarcaram nessa canoa. Sei, é claro, que ambos se consideram de esquerda, mas ideologia é uma coisa, tolice e infantilidade são outra. Acaso saberão algo que a Lava Jato, a Polícia Federal e a esmagadora maioria dos brasileiros não sabem? Creem mesmo que o lulopetismo se sustenta como filosofia de governo e que Lula nada roubou nem deixou roubar?

“Dá para imaginar Chico e Caetano entregues a uma visão fanática,
justamente agora que o Brasil começa a se livrar do fanatismo político?”

Minha hipótese, como antecipei, tem a ver com a ideologia. O celebrado jurista e sociólogo italiano Giovani Sartori sugere uma distinção a meu ver muito útil. Ideologia é um fato normal e até saudável; em qualquer país, as camadas sociais de nível educacional alto tendem a ver o mundo de uma forma organizada, concatenando determinadas premissas, valores e objetivos. Assim compreendida, ideologia é um modo de pensar – ou um sistema, se se prefere. Assim como há ideologias de esquerda, também as há de direita, liberais, conservadoras etc. Ideologismo é outra coisa. É o que acontece quando uma pessoa se aferra fanaticamente a seu sistema de ideias, a ponto de bloquear toda informação que pareça contrariá-lo.

Mas dá para imaginar Chico e Caetano entregues a uma visão fanática, justamente agora que o Brasil começa a se livrar do fanatismo político? A se livrar, mais que isso, da idolatria populista que levou milhões de cidadãos a comprar gato por lebre, endeusando um séquito de trapaceiros como nunca antes se vira no País? Permaneço, sinceramente, sem uma resposta satisfatória, só com minha perplexidade e minha tristeza.


Mais posts

Ver mais