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Búfalos como terapia para os autistas tailandeses

Búfalos como terapia para os autistas tailandeses

Búfalos no Parque Nacional Tsavo West, no Nairóbi, no dia 16 de fevereiro de 2017 - AFP/Arquivos

Montado em um búfalo, Shogun sorri. O menino autista de cinco anos participa de uma oficina do exército tailandês onde esses animais são usados para terapia.

Shogun vai duas vezes por semana a Lopburi, no centro da Tailândia, como outros 20 colegas que sofrem da mesma síndrome.

Passeiam e brincam com balões montados nos búfalos e participam de pequenas oficinas de arte.

Estudos recentes demonstram que a interação com animais tem consequências positivas no desenvolvimento socioafetivo das crianças autistas.

Essa terapia, que tem o respaldo da família real, é uma exceção na Tailândia, onde há poucos programas destinados às crianças com deficiências.

Para os budistas, os problemas têm uma causa. Nada é por acaso, e o destino depende dos atos realizados em vidas anteriores.

Pimporn Thongmee, avô de Shogun, observou progressos incríveis em seu neto desde que ele começou a participar do programa.

“Antes ele sofria muito por se separar de mim”, explica. “Não conseguia ficar tranquilo nem se concentrar e gritava muito, mas agora consegue brincar com os outros”.

Na teoria, a legislação tailandesa outorga aos deficientes os mesmos direitos que ao resto da população, mas a realidade é menos idílica, e o país fica para trás em matéria de equipamentos.

No sudeste da Ásia, a ideia budista do destino cármico atrapalha a implementação de uma política progressista e relega muitos deficientes à pobreza ou a viver escondidos.

Manit Kaewmanee teve que tirar seu filho do colégio, onde as outras crianças o perseguiam.

“Me entristece quando as pessoas dizem que ele é louco, que não pode falar, nem se comportar na sociedade, que é uma vergonha”, conta.

O sargento Kajohnsak Junpeng, responsável pela oficina, afirma que a lentidão dos búfalos traz serenidade para as crianças.

“E se as crianças se penduram no rabo, eles não dão coices como os cavalos, não há acidentes”, explica.

O militar nunca imaginou que um dia estaria no comando de um exército de búfalos a serviço de jovens autistas, mas se sente “orgulhoso” quando vê “os progressos das crianças”.