Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

Boa, Boff!

Sejamos justos, não é de agora que Leonardo Boff briga com a realidade. Tanto ele quanto seus pares, os ditos intelectuais ou grande parte da nossa classe artística, são useiros e vezeiros em rejeitar fatos que contestem suas preferências ideológicas.
De todo jeito, noves fora a costumeira desfaçatez, Boff merece o nosso agradecimento: sua tentativa de ensaiar um tom crítico ao PT nessa semana que passou, seguida de um sorrateiro endosso a Luiz Inácio, sublinhou como poucas vezes o método dessa turma.

Eleitor de Lula e Dilma, o teólogo chegou a sugerir que o Partido dos Trabalhadores deveria assumir ter sido “mordido pela mosca do poder”, e defendeu que Lula, Temer e Fernando Henrique deveriam conversar pelo bem do País.

Que fique claro, não tenho nada de filosófico ou ideológico contra ele, Chico Buarque, Stedile, Wagner Moura, Frei Betto ou  Márcia Tiburi. Meu negócio é estritamente pessoal. Ora essa, e como poderia ser de outro modo, se eles defendem Lula abertamente, mesmo sendo esse o grande responsável pelo maior aparato de corrupção na história do País?

Como poderia ser diferente, se, não satisfeitos em suscitar o encastelamento de facínoras nas mais diversificadas esferas de poder, com o intuito de enriquecer e sequestrar a democracia, ainda vociferam na maior cara de pau?

Como poderia ser diferente, enfim, se absolutamente ninguém que conheço, de familiares a amigos próximos, consegue vislumbrar perspectivas dignas no futuro próximo?

Admito, já cheguei a ponderar sobre como deve ser difícil renegar o próprio passado, principalmente para quem viveu durante o período em que os militares estavam no poder. Ponderei, sim, mas não por muito tempo e a razão disso é simples: ninguém precisa se sentir constrangido em rever suas crenças quando os fatos e a própria história os absolvem de culpa.

Aliás, de Ferreira Gullar a Paulo Francis, de Nelsinho Motta a Fernando Gabeira, a lista de pessoas que tiveram lucidez para enxergar o óbvio é longa. Esses compreenderam que de forma alguma traíram a si mesmos. Quando muito podem alegar terem sido enganados, e ainda assim provocariam controvérsias.

Está tudo certo, erros de avaliação fazem parte da vida e, no âmbito da política, são corriqueiros. Transigir com quem não os admite, porém, está fora de questão.

Noves fora a costumeira desfaçatez, Boff merece o nosso agradecimento: sua tentativa de ensaiar um tom crítico ao PT, seguida de um sorrateiro endosso a Luiz Inácio, sublinhou o método dessa turma


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