Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

Bizarrices do novo presidente americano

Os partidários do candidato vitorioso reagiram exaltados às previsões negativas sobre o governo de Donald Trump, argumentando que ele venceu por ter ouvido anseios represados dos americanos pobres e desempregados e assumido posições enérgicas no sentido de recuperar a situação econômica dos EUA.

Deixando, porém, de lado os arroubos atrabiliários de republicano, os três pontos mais importantes de sua plataforma são de fato preocupantes. Trump deixou clara sua preferência por uma postura “soft” em relação a Vladimir Putin, por uma política econômica protecionista e por medidas de choque contra a imigração latina, ameaçando deportar até três milhões de indivíduos em situação ilegal.

Putin entendeu perfeitamente o recado. Aos seus ouvidos, o discurso de Trump soa como música. Em entrevista ao cineasta Oliver Stone, publicada pelo “O Estado de S. Paulo” de 22 de novembro, ele qualificou como “alarmante” a situação nas fronteiras russas e ameaçou disparar mísseis contra alvos que veja como ameaças à segurança de seu país. Sua ambição é, evidentemente, restaurar a influência que a falecida União Soviética exercia sobre seus vizinhos – notadamente os países
do Leste Europeu. Se aceitar passivamente as pretensões de Putin é o que Trump entende por “normalizar” as relações bilaterais abaladas desde o ataque russo à Ucrânia e a ocupação da Criméia, é bom que os antigos vizinhos do grande urso se cuidem.

Se aceitar as pretensões de Vladimir Putin é o que Trump entende por “normalizar” as relações bilaterais, é bom que os antigos
vizinhos do grande urso se cuidem

No campo econômico, Trump promete anunciar já em seu primeiro dia de governo a retirada dos EUA do Tratado do Pacífico. Em vez de examinar com cuidado as causas do baixo crescimento americano, ele parece crer que dificultar a recuperação do comércio mundial é o caminho para trazer de volta os empregos perdidos por seu país. O efeito será ajudar
a China a consolidar sua posição comercial e militar na Ásia.

Quanto à imigração latina, por mais difícil que sua assimilação pela sociedade americana possa ser, é óbvio que ela não é a causa da quase estagnação com a qual o país se debate há uma década. Bem ao contrário, é graças ao trabalho mal pago e submisso de imigrantes pobres que muitos pequenos negócios funcionam e um grande número de famílias, tendo com quem deixar os filhos pequenos, consegue conservar seus empregos.


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