A forte chuva que caiu em Chapecó na manhã deste sábado (3) não espantou o público que aguardou desde cedo a chegada dos corpos das vítimas do acidente aéreo na Colômbia com o time da Chapecoense. As arquibancadas ficaram lotadas de torcedores que, emocionados, se abrigaram debaixo de capas e guarda-chuvas.
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Durante o cortejo fúnebre, do aeroporto até o estádio, muitas pessoas saíram de suas casas e foram às ruas para aplaudir a passagem dos corpos. O trajeto de aproximadamente nove quilômetros durou cerca de uma hora.
Dentro do estádio, torcedores não paravam de gritar e cantar músicas que tanto apoiaram o time durante os jogos na Arena Condá e que viraram homenagens. Quando o mascote da Chapecoense entrou no gramado, recebeu muitos aplausos do público.
O prefeito de Chapecó Luciano Buligon, que desistiu de viajar com a delegação do clube momentos antes do embarque, discursou no estádio com a camisa do Atlético Nacional da Colômbia e foi bastante aplaudido pelo público.
Quando o primeiro caixão entrou no estádio, a torcida começou a gritar “o campeão voltou”. Houve muito choro. Os gritos se alternaram com palmas e um profundo silêncio. Os caixões foram carregados por militares e colocados na área reservada. Familiares, então, puderam se despedir ao lado dos corpos das vítimas.
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Homenagem
Em várias partes do estádio que recebeu o funeral coletivo havia faixas em agradecimento ao povo da Colômbia, país onde ocorreu o acidente e que prestou o atendimento e o resgate das vítimas. Na última quarta-feira (30), uma cerimônia muito emocionante em homenagem às vítimas foi realizada no estádio de Medellín, exatamente no horário em que seria disputada a final da Copa Sul-Americana.
Alguns torcedores levaram à Arena Condá, inclusive, a bandeira colombiana. “Colombia, gracias por todo”, é o que diz uma das faixas. Outra, em inglês, diz “A todo mundo, o que nos resta é agradecer”.
“O carinho que eles [colombianos] tiveram com todo o povo chapecoense, com todos os brasileiros, foi muito comonente. Por mais que a gente queira demosntrar o quanto estamos gratos, não há palavras para dizer o quanto estamos hornados por tê-los como irmãos, vizinhos”, disse Gustavo Braun, corretor de seguros que levava uma das faixas.
“Eu acho que Deus colocou uma nação muito nobre, muito educada e cheia de princípios para ensinar para todo mundo a fraternidade e a solidariedades. Esses professores são os colombianos”, completou Braun.
Pouso
A retirada dos corpos das três aeronaves que vieram da Colômbia teve início por volta de 10h e demorou cerca de 50 minutos. Soldados do Exército formaram um corredor por onde passaram os caixões, que estavam cobertos com um pano branco com o símbolo da Chapecoense e uma faixa com o nome de cada uma das vítimas. O primeiro e o último caixão retirados receberam uma salva de tiros.
O presidente da República Michel Temer acompanhou, junto com o governador de Santa Catarina Raimundo Colombo, a chegada dos corpos. Apesar da previsão inicial, Temer decidiu ir ao funeral coletivo na Arena Condá. O presidente da República chegou a Chapecó (SC) por volta das 9h de hoje e inicialmente participaria apenas de uma cerimônia de honras fúnebres no próprio aeroporto. Temer disse que não avisou antes que participaria do velório porque não queria causar transtornos.


















