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Aos 73, Drauzio Varella soma maratonas e explica paixão por correr: ‘Paz extrema’

Médico, escritor e comunicador, Drauzio Varella também pode ser chamado de maratonista há mais de 20 anos. Desde os 50, ele viaja pelo mundo e toma as ruas de diversas cidades ao lado de milhares de pessoas nessas provas que atraem cada vez mais participantes. O que se tornaria uma paixão começou graças à “provocação” de um amigo, conforme ele próprio revelou em entrevista exclusiva à Agência Estado, realizada à beira do Mar Morto, em Israel.

“A decisão de correr maratona eu tomei aos 49 anos, por causa de um amigo que me falou: ‘Com 50 anos começa a decadência do homem’. Eu estava cheio de planos, fazendo um monte de coisas e pensei: ‘Para mim, não vai começar não’. Eu já corria um pouco, mas sempre errado, e decidi participar da Maratona de Nova York do ano seguinte, em 1993, para não começar a achar que estava velho”, lembra.

Com uma personalidade simples, externada em seus livros, programas de tevê e em seu canal no YouTube, Drauzio se deixa levar pela empolgação ao tentar descrever o sentimento de completar uma prova de longa distância. Ao longo dessas mais de duas décadas, disputou dezenas delas. Mas ao tentar descrever esta sensação, o escritor admite ficar sem palavras.

“Quando você termina (a prova), é um barato. Fica extenuado, mas é uma sensação tão boa que não dá para descrever. Entra em um barato, chega a dar um barulho no ouvido, que é o que o pessoal que cheira cocaína diz que sente. Dá uma sensação de paz extrema, você volta cansado e parece que está em harmonia com o mundo. É isso que torna a prova atraente para muitas pessoas. E também o desafio de ser capaz de fazer. Correr dá um otimismo na vida, é uma sensação de que se é capaz de fazer tudo.”

E não é só a parte lúdica da prova que atrai Drauzio. Seu lado médico fala mais alto quando faz uma análise racional da prova. “O que me leva a insistir nas maratonas é que, nela, não há improviso. Se você treinar só 15 dias e correr, vai morrer no caminho. É preciso uma rotina de treinos, e isso me dá disciplina”, avalia. “Tem também um lado interessante, que é o fato de ela ser uma prova democrática. O esforço que você faz é o mesmo que faz o cara que ganha. Cada um vai no seu limite.”

Por sua carreira de médico, Drauzio já rodava o mundo para participar de convenções e palestras, mas o novo hobby adquirido na década de 1990 o levou para os mais diversos cantos. De provas regionais, como a de Blumenau (SC), a algumas das principais maratonas do mundo, casos de Boston, Nova York e Tóquio, já esteve em todo tipo de competição, e na última sexta-feira somou mais uma para o “currículo” ao disputar a Maratona de Jerusalém. Ele participou da disputa de 21 quilômetros, sua primeira corrida de longa distância após se recuperar de uma cirurgia no pé, realizada em julho, ocasionada por um neuroma.

“A Maratona de Jerusalém é especial, tem uma mágica. Logo de cara, você dá de frente com diversos cartões postais. E não são de qualquer cidade, são de Jerusalém, cheia de história, de mitos. Então, tem uma emoção especial”, avalia. “Na minha preparação tive uma porção de problemas, como uma dor no tendão de Aquiles. Cheguei a desistir, mas fui convencido a correr 21 quilômetros. Decidi aceitar e foi muito bom. Corri com facilidade, cheguei inteiro”, completa.

Por fim, Drauzio dá um conselho inesperado para quem também quiser chegar aos 73 anos em plena forma física. “Quando me perguntam o que eu faço, eu digo para não seguirem meu exemplo. Minha rotina de preparação eu faço da minha cabeça. Sobre alimentação, sempre que leio algumas dicas não me convenço. Acho que não é baseado em uma ciência. Nunca fiz dieta de nada. Só janto melhor na véspera da maratona, para não ficar com fome. Nunca tomei vitaminas, sais minerais, nada disso. Nem como as geleias e barras de cereais que dão durante a prova.”