Edição nº2471 20.04 Ver edições anteriores

Aonde vamos chegar?

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O que Donald Trump está fazendo contra a humanidade é abominável. Revive conceitos discriminatórios dos tempos do nazifascismo. Persegue opositores. Ataca chefes de estado contrários a ele (o mexicano Peña Nieto e o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, já foram alvo de sua ira). Estabelece a xenofobia populista como política de governo. No seu desvario foi capaz de ameaçar inclusive a ONU com retaliações, caso ouvisse dela protestos a seus atos. Joga com a força financeira. Mais da metade do orçamento anual de US$ 5 bilhões da organização é bancada pelos cofres americanos. Seu tom histriônico nos discursos assusta o planeta. As deliberações estabanadas, sem consultar ninguém – nem mesmo os advogados do Conselho de Segurança Nacional foram ouvidos a respeito dos vetos migratórios, como é praxe – denotam o despreparo evidente. Trump pratica um atentado incomensurável à liberdade dos povos quando proíbe a entrada de estrangeiros de sete países mulçumanos nos EUA. Intolerância racial, de credo ou origem parecia coisa do passado, execrada entre aqueles que pregam as melhores práticas civilizatórias. Mas Trump teima em colocá-la na ordem do dia. Ao insistir na medida insana fere a Convenção de Genebra e os próprios princípios democráticos americanos. Tribunais locais já estão respondendo à altura. 5Empilharam inúmeras sentenças favoráveis àqueles que foram barrados nas fronteiras. Nos aeroportos e ruas das cidades os protestos tomaram conta. Um clima de confronto e radicalização dos ânimos prevalece. E a temperatura não para de subir. O caso de um garoto de cinco anos algemado e detido no aeroporto, mesmo tendo sido identificado como cidadão americano, residente em Maryland, chocou o mundo. O senador Chris Van Hollen classificou o incidente como “ultrajante”. A resposta do porta-voz de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, veio em tom de deboche: “seria um equívoco descartar uma pessoa como ameaça apenas por sua idade ou sexo”. Correligionários e até simpatizantes do recém-empossado presidente começam a se arrepender do apoio dado. Muitos dizem que Trump caminha para o isolamento inexorável. Uma coisa parece certa: está ficando claro para a maioria que ele vai precisar de algum tipo de tutela ou orientação mais firme das instituições americanas que zelam por valores históricos consagrados nos EUA, como o da ampla integração com demais culturas e países. Os EUA são essencialmente uma nação de imigrantes. O avô de Trump é um imigrante. Assim como a atual mulher e mesmo a anterior. O contrassenso de suas restrições não encontra respaldo nem mesmo entre os titãs da iniciativa privada, que passaram a rechaçar, via comunicados públicos, qualquer movimentação nesse sentido. Patriotas fervorosos pregam que o sonho americano não acabou, apesar de Trump trabalhar na direção contrária. Na toada nacionalista e protecionista ele estaria, isto sim, testando os limites da paciência dos eleitores que lhe deram suporte. Brinca com fogo, numa receita que pode levá-lo ao maior desastre administrativo de todos os tempos, desde que George Washington cravou os pilares da Constituição americana. O antecessor de Trump, Barack Obama, além de fazer coro às manifestações, alertou que os fundamentos americanos estão em jogo. Trump, na sua fé ególatra e absoluto desprezo à opinião alheia, redobra a aposta na beligerância enquanto o planeta reage estupefato.


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