Edição nº2493 22.09 Ver edições anteriores

Amiga Madonna

Minha formação feminista se deu na vida. Uma lambada aqui, uma humilhação ali e fui aprendendo que ser mulher e independente e com opinião própria era um caminho tortuoso. Comecei a ler sobre as feministas que vieram antes de mim. Aprendi que a tal síndrome da impostora, o teto de vidro e muitas outras armadilhas nas quais eu cairia já haviam sido vividas por outras mulheres. E que eu era apenas mais uma mulher dos anos 1980 tentando fazer o que achava certo. Naquela época eu ouvia Madonna. E dançava aquelas canções. Não gostava de todas e nem sei se gostava dela, mas certamente não a considerava uma companheira na minha jornada particular em busca de ser a mulher que eu queria ser.

Essa semana eu revi tudo isso. Em seu discurso de agradecimento por ter recebido um prêmio importante pelos 34 anos de carreira, Madonna me mostrou que, ao jeito dela, estava comigo o tempo inteiro. “Não há regras se você é um garoto. Há regras se você é uma garota. Se você é uma garota, você tem que jogar o jogo. Você tem permissão para ser bonita, fofa e sexy. Mas não pareça muito esperta. Não aja como se tivesse uma opinião que vá contra o status quo,” disse ela narrando alguns dos episódios difíceis que viveu por fazer as próprias escolhas.

31% dos homens dizem que gostariam de não ser machistas, mas não sabem como agir. Isso mesmo! Um terço dos homens gostaria de mudar, mas não sabe como!

Foi muito difícil para todas nós, mas uma das minhas escolhas é evitar o rancor. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Avon/Locomotiva mostra que 63% da população brasileira acreditam que um homem pode ser feminista. E que 31% dos homens dizem que gostariam de não ser machistas, mas não sabem como agir. Isso mesmo! Um terço dos homens gostaria de mudar mas não sabe como! Mudar uma cultura sólida enraizada no poder masculino sobre as mulheres é difícil, mas eu devo acreditar que é impossível? Podem me chamar de ingênua mas eu acho que essa história já começou. E começou por nós mesmas. E agora vem uma segunda etapa. A de mostrar que pode ser muito legal, com eles. Ou, como disse minha nova amiga, Madonna, “mulheres têm sido oprimidas por tanto tempo que elas acreditam no que os homens falam sobre elas. Elas acreditam que elas precisam apoiar um homem. E há alguns homens bons e dignos de serem apoiados, mas não por serem homens, mas porque eles valem a pena. Como mulheres, nós temos que começar a apreciar nosso próprio mérito.”

 


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