Edição nº2480 23.06 Ver edições anteriores

Alívio temporário

DENÚNCIA Deputado Fraga é suspeito de pedir propina no DF
DENÚNCIA Deputado Fraga é suspeito de pedir propina no DF (Crédito:Thiago Gomes/Ascom Sespa)

Integrante da Bancada da Bala na Câmara dos Deputados, Alberto Fraga (DEM-DF) se livrou de duas ações no Supremo Tribunal Federal por dispensa de licitação quando era secretário de Transporte do DF no governo de José Arruda. Mas não dá para comemorar. Pré-candidato a governador, ele é alvo de inquérito que investiga sua participação em esquema de cobrança de propina na mesma secretaria. Em depoimento à Divisão de Crimes Contra a Administração Pública (Decap), integrantes de cooperativas de transporte acusam servidores da secretaria na gestão Fraga de cobrarem suborno para poder operar
no sistema. Um dos responsáveis por exigir pagamentos informou aos investigadores que representava Fraga e que contava com sua anuência. O deputado já responde a dois processos no STF pelo mesmo crime.

“Marmita”

Segundo depoimentos, quem recolhia a propina em 2006 e 2007 era o então chefe de gabinete de Fraga na secretaria, major Nunes, que hoje é comandante da Polícia Militar do DF. “Major Nunes, ex-chefe de gabinete de Fraga, ao exigir aquela quantia indevida, se referia a ela como o pagamento de uma ‘marmita’”, asseverou um cooperado da Coopersit.

Privilégios

Outro integrante da cooperativa disse que sempre encontrava Nunes no 15º andar do Palácio do Buriti, sede do governo. Que ali, o presidente da Coopersit entregou a Nunes a referida “marmita” no valor de R$ 40 mil em dinheiro vivo. Em troca, recebeu informações privilegiadas sobre a licitação de 450 micro-ônibus no sistema.

Rápidas

* Já chegaram ao ouvido do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, as histórias cabeludas que andam dizendo sobre ele em Brasília. Está havendo uma verdadeira corrida para tentar provar que Ricardo Saud exercia mais que a função de abrir portas com parlamentares para Fachin durante a campanha do jurista para o STF.

* Mas é preciso muita cautela. Sobram motivos para tentar desestabilizar e desqualificar quem relata a Lava Jato e contraria interesses magníficos, como é o caso do ministro Edson Fachin.

* A Operação Quinto do Ouro não mirou apenas o presidente da Alerj, Jorge Picciani, e conselheiros do Tribunal de Contas do Rio. É que uma apreensão leva a provas indicando novos alvos.

Fraga nega, Nunes se cala

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Ana Rayssa/Esp. CB

Outro cooperado afirma que relatou a Fraga irregularidades, como desfalques de dinheiro na Coopersit. Mas reclama que Fraga não tomou providências. Ele então descobriu que a cooperativa havia doado três cotas a um policial ligado
ao deputado. Por meio da assessoria, o parlamentar Alberto Fraga informou que nunca autorizou ninguém a cobrar ou falar em seu nome. O coronel Marco Antônio Nunes não quis se pronunciar sobre as denúncias até o fechamento da coluna.

Retrato falado

“Isso vai roubar muito ainda, se Deus quiser!”
“Isso vai roubar muito ainda, se Deus quiser!” (Crédito:Divulgação)

Num cantinho do plenário da Câmara há uns dias, Tiririca (PR-SP) sentou o deputado Rafael Motta (PSB-RN) em seu colo. Abraçava-o chamando de “meu sobrinho”. Ao final, elogiou Motta para outros colegas e assessores que o acompanhavam. “Isso vai roubar muito ainda, se Deus quiser! Chama o titio, tá? Nada de mala, tá? Pochete passa despercebida. Mala dá muito na cara”, brincou. Motta riu. Tiririca disse a ISTOÉ que conheceu Motta em Natal e se impressionou com sua “atuação humilde”.

Grave

A Procuradoria-Geral da República investiga a conduta de dois desembargadores do Tribunal de Justiça da Bahia. Um deles é Gesivaldo Nascimento Britto, futuro presidente do TJBA. Ele e Maria das Graças Osório são suspeitos de vender decisões judiciais. Em uma das causas suspeitas, Maria das Graças antecipou tutela num caso contratual. A decisão foi suspensa por outra desembargadora. Mas, em seguida, essa nova decisão foi cassada por Gesivaldo, o que realçou a suspeita de conluio entre ele e Maria das Graças. A PGR requereu a quebra de sigilo bancário de Gesivaldo devido à evolução patrimonial dele. Procurado, o TJ-BA não respondeu.

Toma lá dá cá

Paulo Márcio Dias Mello, presidente da Autoridade de Governança do Legado Olímpico

Paulo Márcio Dias Mello, presidente da autoridade de governança do legado olímpico
Divulgação (Crédito:Divulgação)

A população tem a forte sensação de que o legado olímpico da Rio 2016 é, na verdade, um imenso elefante branco.
Essa é uma impressão equivocada. Demorou oito meses para que a União pudesse iniciar o processo de administração do nosso legado. Somente em setembro, com o fim das paraolimpíadas é que começou-se a desmontar as estruturas móveis externas e internas — e só em fevereiro a última foi concluída. Aí, houve a transmissão de parte do legado da administração da prefeitura para a União. O aproveitamento começa só depois disso, mas já com uma agenda intensa, como o Gigantes da Praia, uma competição internacional de vôlei de areia, realizada no Centro Olímpico de Tênis.

Quais serão os próximos eventos?
Já neste sábado teremos a abertura dos Jogos da Baixada, que são competições de futebol e handball. Em julho, campeonato de jiu-jitsu na Arena 1 e outros vários eventos programados. Na Arena 2, teremos não só estímulo para esportes de alto rendimento, mas também projetos de inclusão social, como o Viva Vôlei.

Fechando…

Decisão da Justiça de São Paulo, no âmbito da falência do Banco Cruzeiro do Sul, começou a colocar em prática mais uma trava em brechas usadas por quem usa títulos (bonds) para lavar dinheiro. O caso envolve títulos de R$ 26,2 milhões comprados pelo UBS Financial Services em favor de terceiros e que estavam na custódia do Cruzeiro do Sul.

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…as brechas

Clientes do UBS são credores da massa falida e estão na fila para reaver os créditos. A Justiça determinou que o UBS deverá demonstrar a identidade dos credores em favor de quem adquiriu as “notes”, para evitar fraudes ou lavagem. Segundo o despacho, só assim será possível evitar o uso de pessoas interpostas para desviar ativos do banco.

Bolsa de apostas

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Ueslei Marcelino

Integrantes do governo Michel Temer estão apostando que o próximo personagem ligado a ele a ser preso será o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima. Ele está implicado, entre outras, na operação Cui Bono, que prendeu Henrique Eduardo Alves, também ex-ministro e peemedebista.


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