Medicina & Bem-estar

Depilação a laser mais segura

Médicos brasileiros criam técnica para depilar peles morenas, bronzeadas e negras sem risco de causar manchas e queimaduras

Depilação a laser mais segura

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TESTES
Daniela foi uma das que pesquisaram o método

Um método de depilar peles morenas, bronzeadas e negras com maior segurança começa a ser usado no País. Criada por médicos brasileiros, a técnica reduz de dez para seis o número médio de sessões necessárias para acabar com os pelos. Além disso, não apresenta risco de queimaduras ou manchas, um dos principais problemas em depilações em peles mais escuras.

Os detalhes do método serão apresentados no congresso da Sociedade Americana de Cirurgia Dermatológica, que será realizado em outubro, nos EUA. Durante três anos, os especialistas acompanharam as respostas de 2.448 pacientes às aplicações de laser de diodo. O raio destrói as células responsáveis pelo crescimento dos pelos. O problema é que ele é atraído pela melanina, o pigmento que dá cor aos pelos e também à pele. Por essa razão, em cútis mais escuras, nas quais há maior quantidade de melanina, a chance de o laser atingir a pele, além do pelo, é grande. Quando isso ocorre, pode haver o aparecimento de manchas ou o paciente sofrer queimaduras.

Esse obstáculo obrigava os médicos a ser mais cautelosos na hora das aplicações. O jeito era usar energias mais baixas, aplicadas em um número maior de sessões. “Se aumentássemos a energia do laser, podíamos queimar a pele”, explica a dermatologista Daniela Nunes, uma das autoras da pesquisa (também participaram os médicos Katleen Conceição, Rafael Nunes, Guilherme Nunes e Tatiana Yumi).

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Ao longo do estudo, os pesquisadores descobriram que é possível obter o resultado esperado – no mínimo 75% da área tratada livre de pelos – usando energias baixas, mas que, aplicadas várias vezes no mesmo local, acumulam um total suficiente para destruir os fios, mas não a pele. “Como esquentamos lentamente e por um tempo longo, damos à pele a chance de perder calor para o ambiente”, diz Daniela.
No final do trabalho, os médicos verificaram que não só não havia complicações entre os pacientes como também o número de pessoas nas quais o pelo voltou a crescer foi inferior à média mundial. Entre os participantes, o índice de recidivas foi de 3%, enquanto no geral essa taxa fica em torno de 5%.