Medicina & Bem-estar

A criação das pernas biônicas

Empresa lança equipamento que permite a paraplégicos ficar em pé e subir escadas

A criação das pernas biônicas

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MOVIMENTO
O aparelho é comandado por um joystick

Depois de sete anos de pesquisas, cientistas de uma empresa sediada na Nova Zelândia apresentaram, na semana passada, o primeiro par de pernas biônicas que pode ser usado por cadeirantes. O dispositivo é um exoesqueleto que permite ao usuário ficar em pé, andar e até mesmo subir degraus.

O artefato pesa 38 quilos, é composto de cerca de 4,7 mil peças e é feito sob medida. Comandado por um joystick, é indicado para aqueles que têm capacidade de operar controles de mão e conseguem se transferir sozinhos da cadeira de rodas para outro assento.

A previsão é de que o produto seja mundialmente comercializado no próximo ano por um preço estimado de US$ 150 mil. Na Nova Zelândia, deve estar disponível até o final do ano. Antes da compra, o interessado passará por avaliações para que fique esclarecido, por exemplo, se há risco de surgimento de lesões pelo fato de ele ficar em pé ou andar com a ajuda do equipamento.

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O primeiro usuário a testar o artefato foi o neozelandês Allen Hayden. Há cinco anos, ele ficou paralisado da cintura para baixo após um acidente de moto que ocasionou uma lesão espinhal. “Nunca esquecerei a sensação de ver meus pés andando com a Rex. Não conseguia parar de olhar os meus pés se movendo”, disse o emocionado Hayden, que atualmente usa as suas pernas biônicas em tempo integral.

Os criadores da Rex Robotic Exoskeleton, que já é chamada de Rex, são os engenheiros Richard Little e Robert Irving. Eles estudaram juntos e se mudaram para a Nova Zelândia em 1990, quando fundaram sua empresa, a Rex Bionics. Além da paixão pela engenharia, têm em comum o conhecimento dos obstáculos e problemas de acesso vivenciados por pessoas com problemas de locomoção: as mães de ambos são cadeirantes. A pesquisa nesse campo tornou-se ainda mais prioritária quando Irving recebeu diagnóstico de esclerose múltipla, há sete anos. No site da sua empresa, ele diz que nesse momento compreendeu que também poderá precisar, um dia, usar uma de suas invenções.

Para o neurologista Richard Roxburgh, assessor da Associação de Distrofia Muscular da Nova Zelândia, as vantagens do uso do novo artefato vão além da melhora em termos de mobilidade e autoimagem. “Isso reduz as possíveis complicações de estar em uma cadeira de rodas o tempo todo”, diz o médico.