Eleições 2010

Dilma e as socialites

Como as damas da alta sociedade carioca encaram a candidata do PT depois da recepção organizada por Lily Marinho

Dilma e as socialites

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BRINDE CHIQUE
A viúva de Roberto Marinho, Lily, comemora com Dilma Rousseff num almoço na famosa mansão do Cosme Velho

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“Ela é tudo que eu gosto”, tascou a socialite Carmen Mayrink Veiga. E logo emendou o motivo de tanta admiração: “Mesmo com a vida que tem, está sempre bem-vestida, bem penteada.” Ponto para Dilma Rousseff. A ex-sisuda ministra-chefe da Casa Civil, com o novo penteado de campanha presidencial, a maquiagem caprichada e o tailleur claro e de bom corte que vestia, não precisou elaborar muito o discurso para conquistar a simpatia do high society carioca. “Sobre política, sou analfabeta”, esclareceu Carmen. Chancela internacional de elegância, obviamente bem-vestida e bem penteada, Carmen foi uma da 47 mulheres que compareceram ao almoço oferecido a Dilma por Lily Marinho, viúva do fundador das Organizações Globo, Roberto Marinho, na sexta-feira 9, em sua lendária mansão no bairro do Cosme Velho.

A maioria das presentes era de damas do jet set, como Carmen e Lily. A cantora Alcione representava os artistas populares e a classe política se fazia presente com a ex-deputada federal comunista Jandira Feghali e a economista Maria da Conceição Tavares. Mas o caráter mundano do encontro, sem dúvida, preponderava, como deixou claro a própria Maria da Conceição: “Ninguém está aqui a fim de convencer ninguém. São velhas senhoras. Olha a média de idade! É tudo cobra criada”, afirmou ela, enfatizando que “dona Lily sempre foi uma democrata”.

Dilma já havia enfrentado uma experiência semelhante em São Paulo. No dia 25 de junho ela participou de um chá organizado pelo empresário Abilio Diniz, em sua casa nos Jardins, com a presença de 30 senhoras da alta sociedade. Depois daquele encontro, algumas das convidadas trocaram pela internet relatórios pouco simpáticos sobre o discurso que Dilma fizera na ocasião. Já no Rio, ao contrário, a candidata do PT teve mais sucesso. Várias socialites, com seu jeito peculiar, trataram de manifestar aprovação a ela, considerada “mais moderna e simpática” do que esperavam. Empresária da área de estética e namorada do homem mais rico do Brasil, o empresário Eike Batista, a bela morena Flávia Sampaio disse que gostou da performance da ex-ministra e considerou-a apta a frequentar sua clínica. “Ela me surpreendeu positivamente. Acho que posso convidá-la para minha clínica de estética que não vai fazer feio”, afirmou Flávia, preferindo não declarar seu voto.

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APLAUSOS
As socialites Flávia Sampaio, Mônica Clark e Carmen Mayrink Veiga aprovaram a performance de Dilma

No almoço de dona Lily foi servido um menu preparado pelo chef Claude Troisgros: tartare de salmão com maçã e funcho e filé de Cherne com banana caramelada. Um dos únicos homens presentes, o chef disse que se surpreendeu ao saber que a candidata do PT era a homenageada do dia: “Só fiquei sabendo quando ela veio aqui na cozinha para me cumprimentar”, afirmou. Ao ouvir Troisgros, o mordomo de dona LiLy, Edgar Peixoto, correu para corrigi-lo: “Aquela senhora que veio aqui não era a Dilma, apaguem tudo”, pediu Edgar. Dilma ficou por quase duas horas no interior da mansão. Não chegou a passear pelos jardins projetados por Burle Marx, onde vivem os flamingos presenteados a Roberto Marinho pelo ditador cubano Fidel Castro, que foi recebido na mesma residência em 1992. Após o almoço, a candidata discursou sobre as realizações do governo Lula e falou rapidamente sobre os projetos para educação e cultura, arrancando discretíssimos aplausos das convidadas. Contou que, quando menina, desejava ser bailarina, trapezista ou integrante do Corpo de Bombeiros. Segundo ela, só os meninos sonhavam em ser presidente da República. Ao se despedir de dona Lily, disse uma frase que imediatamente procurou corrigir. “Foi um prazer imenso vir aqui e quero ver a senhora na minha posse.” Ato contínuo, quase retirou o convite: “Isso dá azar. É que nem sentar na cadeira antes da eleição.”

José Serra e a candidata do PV, Marina Silva, podem morrer de inveja, mas a decana das socialites nem pensa em convidá-los para uma recepção similar na mansão cor-de-rosa do Cosme Velho, onde os mais importantes políticos brasileiros já estiveram, como atesta uma coleção de porta-retratos sobre o piano da sala. Pelo menos antes das eleições. Esse privilégio só coube a quem dona Lily se referiu como “a candidata da situação.” Mas, sempre elegante, a viúva de Roberto Marinho procurou descartar qualquer caráter político no encontro. “Tinha vontade de conhecer ela” justificou com simplicidade e um sotaque afrancesado. A anfitriã acabou, no entanto, revelando que, se votasse, optaria por Dilma. Advertida de que os outros concorrentes à Presidência poderiam entender o evento como um apoio oficial, Lily deu de ombros: “Eu não sou política. Se ficarem com ciúme, o que posso fazer? Não posso fazer nada.”