Tecnologia & Meio ambiente

O efeito mamute

A raça humana acelera o aquecimento global há pelo menos 15.000 anos, época em que ajudamos a extinguir os gigantes

O efeito mamute

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GIGANTES
Desaparecimento dos mamutes alterou a vegetação do Hemisfério Norte

 

Se você se sente culpado diante do avanço do aquecimento global causado pela ação do homem, saiba que somos os vilões dessa história desde que começamos a dominar o planeta. Há tempos os arqueólogos afirmam que nossos antepassados ajudaram a extinguir a megafauna que habitava o Hemisfério Norte, dizimando animais gigantescos como os mamutes há cerca de 15.000 anos. Agora, um grupo de cientistas do departamento de ecologia da Universidade de Stanford (EUA) comprovou que o desaparecimento da espécie alterou a vegetação que cobria a região temperada – sobretudo no Alasca e na Sibéria – a ponto de mexer com os termômetros de forma significativa.

“Antes da extinção dos mamutes, a maior parte dessas áreas era coberta por grama, já que, assim como os elefantes contemporâneos, eles derrubavam todo tipo de árvore para se alimentar”, disse à ISTOÉ o pesquisador Chris Doughty, um dos autores do estudo. Com o sumiço dos gigantes vegetarianos, bétulas anãs – árvores densas e de folhas escuras, com cerca de dois metros de altura – avançaram sobre o terreno e fizeram com que o calor ficasse encapsulado muito perto da superfície. “Durante o inverno, boa parte da grama que cobria a região era coberta pela neve, um rebatedor natural da energia gerada pelo Sol. Com as árvores tomando conta da paisagem e deixando a neve no solo, essa mesma energia ficava acumulada na Terra”, diz Doughty.

Segundo o estudo, a temperatura média global subiu 0,1ºC nos dois séculos seguintes. “Na Sibéria, o aumento foi o dobro graças à maior concentração humana”, explica o cientista. Claro que os números são bem menores do que os registrados após a Revolução Industrial, mas comprovam a vocação do homem para o desastre ambiental. “Várias pessoas ainda acreditam que a contribuição humana para o aquecimento global é um mito, mesmo com mais de seis bilhões de pessoas vivendo na Terra”, diz Doughty. “Nosso estudo serve para mostrar que até mesmo pequenas populações são capazes de causar um grande estrago.”

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