Comportamento

A realeza e a crise

Assim como seus súditos, várias monarquias europeias apertam o cinto para se adaptar à situação econômica

A realeza e a crise

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FAMÍLIA REAL BRITÂNICA
Orçamento anual US$ 57,8 milhões

A rainha britânica Elizabeth II terá que adiar mais um pouco a troca do velho telhado do Palácio de Buckingham e o príncipe Charles precisará segurar sua vontade de aumentar a coleção de carros Aston Martin por enquanto. Na Espanha, o rei Juan Carlos não compra um terno novo há 18 meses e sua esposa, Sofia, não tem se importado em repetir vestidos em solenidades. As férias da família real espanhola na ilha de Maiorca também foram reduzidas. É a recessão batendo à porta da realeza, fazendo com que as monarquias também apertem o cinto e mudem o estilo de vida, assim como os demais 500 milhões de europeus.

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FAMÍLIA REAL SUECA
Orçamento anual US$ 15 milhões

GASTOS Rainha Elizabeth II: economia na comemoração do aniversário; realeza sueca: suplementação
de US$ 3 milhões para bancar o casamento da princesa Victoria

A União Europeia atravessa a pior crise econômica desde o fim da Segunda Guerra. A Grã-Bretanha precisa cortar 25% dos gastos para reduzir sua dívida e na Espanha um quinto da população está desempregada, o pior índice da Europa. A recessão fez com que, este ano, o rei Juan Carlos congelasse pela primeira vez seu próprio orçamento, de US$ 11,1 milhões anuais. Numa demonstração de que está sensível aos tempos de austeridade, a realeza britânica anunciou, na segunda-feira 5, que também irá manter os mesmos níveis de gastos – US$ 57,8 milhões – do último ano fiscal (encerrado em abril). A economia ocorre principalmente em viagens, reformas e até nos banquetes. O aniversário de 83 anos da rainha, em abril, foi comemorado com uma festa modesta para apenas 16 famílias na casa do seu filho, o príncipe Edward. Eliza­beth preferiu um cardápio simples, com peito de frango recheado com pimentões vermelhos como prato principal e sem direito a vinho. No ano passado, a rainha desistiu de comprar um jatinho de US$ 10 milhões. Usará os aviões da Força Aérea.

Mas essas economias não convencem os opositores da monarquia de que os nobres não jogam dinheiro pelo ralo. Republicanos realizaram manifestação em frente ao Palácio de Buckingham durante o anúncio do novo orçamento. “A rainha deveria receber apenas um salário”, disse Graham Smith, um representante do grupo Republic. A rainha está na 12ª colocação da lista da revista “Forbes” dos 15 monarcas mais ricos do mundo, divulgada na semana passada, com uma fortuna estimada em US$ 450 milhões. Seu patrimônio permaneceu inalterado no último ano.

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PRÍNCIPES DE MÔNACO
Albert, Stephanie e Caroline: obras paradas no principado

O sexto colocado e o monarca europeu mais rico é o príncipe Hans-Adam II, de Liechtenstein, com US$ 3,5 bilhões, já descontado o US$ 1,5 bilhão corroído pelo escândalo envolvendo o banco da família real, o LGT. O banco foi acusado de evasão fiscal por supostamente ajudar seus clientes a ocultar bens e investimentos. Em nono lugar está o príncipe Albert II, de Mônaco, com US$ 1 bilhão. Em 2008, ele perdeu US$ 400 milhões com a desvalorização de propriedades. Por causa da crise, seus esforços para aumentar o território do país com um distrito no mar, construído sobre pilares gigantes, tiveram que ser adiados.

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CASA REAL ESPANHOLA
Orçamento anual US$ 11,1 milhões

A época de vacas magras faz crescer a aversão popular à vida de fantasia das monarquias. Na Suécia, os US$ 3 milhões gastos na suntuosa festa de casamento da princesa Victoria com o plebeu Daniel Westiling, para 1,2 mil convidados, no mês passado, motivou reações acaloradas de quem não se conforma em custear o luxo real. Na internet, a população reivindicava um convite para a extravagante festa em troca do patrocínio. Eles defendiam que os US$ 15 milhões repassados ao rei Carl Gustaf XVI anualmente deveriam ter sido suficientes para arcar com as bodas reais, em vez de pedir suplementação para a festa. São os contos de fadas caindo na real.

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