Edição nº2479 15.06 Ver edições anteriores

Posso ser seu vice?

Serra, você está só e a água já entrou na sua embarcação. Talvez porque lhe falte uma bandeira

“Desilusão, desilusão, danço eu, dança você, na dança da solidão…” José Serra, eu sei que você está só. Uma solidão oceânica. Desde que Aécio Neves desistiu da chapa puro-sangue, matreiro como todo mineiro, mais de 20 nomes já foram sondados para ser o seu vice. Ninguém aceitou. O Tasso Jereissati pulou fora, a Kátia Abreu disse que tem mais o que fazer na Confederação Nacional da Agricultura e o Jarbas Vasconcellos, do PMDB que você considera “limpinho”, não tem mais chance. Desista também do Francisco Dornelles. Depois desse último Ibope, o pragmático PP vai fechar com a Dilma. E o Sérgio Guerra, sua reserva técnica dentro do PSDB, foi abatido pelo próprio passado – um vice com uma coleção de fantasmas no gabinete não lhe cairia bem.

Examine as alternativas que sobraram. A vereadora tucana Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, é também um nome inviável. Como se sentiriam os milhões de vascaínos e botafoguenses? A tal Valéria Pires, chamada dentro do PSDB de solução “Sarah Palin”, também não emplaca. Ter sido ex-vice governadora do Pará não é lá um grande currículo, concorda? Aliás, o que significa ser “ex-vice”? Bom, mas
há ainda o deputado José Carlos Aleluia. Esqueça. Ele seria motivo de piada no próprio dia do casamento – “aleluia, aleluia, aleluia”.

Talvez, Serra, o melhor vice na chapa tucana fosse você mesmo. Vice do Aécio, por que não? E esse seria o resultado das primárias internas do PSDB, caso elas tivessem sido realizadas. Mas ­agora já não dá mais tempo. E nem pense em chamar o ex-presidente Fernando Henrique, porque ele também já começou a abandonar o barco. Essa debandada tem uma explicação: qual é a sua bandeira, candidato? O Brasil, que cresceu 11% no primeiro trimestre, pode mais? Como? De que maneira? Controlar o Banco ­Central e subordiná-lo ao ministro da Fazenda, que, na prática, seria o próprio presidente da República, em caso de vitória sua, não parece ser o melhor caminho.

E o risco, com esse tipo de proposta, é afastar de sua campanha boa parte do empresariado.
Pensando bem, Serra, acho que até eu vou retirar minha candidatura a vice. A água já entrou na canoa, começou a subir, e eu não sou lá um grande nadador – neste caso, é melhor ficar com a Patrícia Amorim. Quer uma sugestão? Chame o Dunga. Ganhando ou perdendo a Copa, o treinador estará sem emprego dentro de algumas semanas. Só não deixe ele falar muito, pois o risco é perder o que lhe resta de apoio. Se nada disso funcionar, vá então de Álvaro Dias.


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