Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

Paz e Amor

Ele saiu do bairro da Aclimação, em São Paulo, tornou-se guru na Índia e arrasta multidões de seguidores. Mas, afinal, o que é um guru?

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Janderson Fernandes de Oliveira nasceu na Aclimação, em São Paulo, em 1965. Afirma ter tido suas primeiras dúvidas existenciais aos 7 anos e as primeiras aulas de ioga aos 12, em Guarulhos, com a professora Teresinha de Jesus. Mais tarde, formou-se em psicologia e foi fundo nos estudos da mente humana.

Hoje, atende pelo nome de Prem Baba (Pai do Amor) e arrasta milhares de seguidores aos seus satsangs (sat = verdade, sang = encontro), espécie de palestras nas quais seguidores , discípulos e peregrinos de todas as partes dirigem perguntas direto ao guru, que as responde, a quem quiser ouvir. Sua vida, no plano material, se divide entre Brasil, Estados Unidos e Índia. Segundo sua biografia, aos 12 anos, numa aula de ioga, ele teria tido uma visão. Uma pessoa lhe dizia que aos 33 anos ele deveria seguir para a cidade de Rishikech. Janderson diz que nem entendeu bem o que aquilo queria dizer. Não tinha nenhuma ligação mística, muito menos com a Índia. Muitos anos correram e aos 32, morando no bairro de Higienópolis, em São Paulo, nova visão, durante um período de crise pessoal. A mesma figura de barbas brancas o chamava para ir a Rishikech quando completasse 33 anos. Na mesma Índia, durante sua lua de mel, Janderson conta que recebeu seu terceiro chamamento, no interior de um carro velho e quente, na cidade de Haridwar. Ele relata que a caminho de Rishikech toda a sua angústia desapareceu e que ao bater na porta de um Ashram na cidade foi recebido por um mestre de longa e respeitada linhagem, Raj Maharajji, que o acolheu e se tornou seu guia.

Ao longo desses oito anos, Janderson, desde 2002 Sri Prem Baba, aprofundou seu conhecimento das filosofias do Oriente e  juntou com o que sabia da psicologia ocidental e com suas profundas experiências nas práticas e rituais da floresta brasileira como o Santo Daime. Hoje se define como “um mestre espiri­tual que está trabalhando firmemente com o propósito de acordar o amor em toda a humanidade”. “Estou trabalhando para fazer pontes entre mundos. Entre o Ocidente e o Oriente, entre a ciência e a espiritualidade, entre a floresta amazônica e o Himalaia.”

Talvez não acreditemos em nada disso, mas é difícil lutar contra a ideia de que o mundo precisa urgentemente valorizar o amor. Essa é a crença do brasileiro Janderson e daqueles que o seguem. Mas há nesse mundo do avesso em que nos metemos todo tipo de gente se apresentando como mestres, para um enorme rebanho de desesperados. Há de tudo. De pastores evangélicos capazes de pacificar traficantes armados até os dentes nos morros cariocas até figuras que decoram suas casas com o que julgam ser representações de belzebu e acabam recrutando seguidores de todos os tipos, passando ainda por escritores de autoajuda milionários e outros bichos. Esta será a pesquisa e o tema da próxima edição da “Trip”, uma tentativa de entender qual é afinal a dos gurus e mestres que se apresentam.
A mesma edição que trará também o perfil do Prem Baba, traçado pelo repórter Arthur Veríssimo com fotos de Nelson Mello. 


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