Tecnologia & Meio ambiente

A outra busca do Google

O dono do império digital quer achar a cura do mal de Parkinson após descobrir que tem 50% de chance de desenvolver a doença

A outra busca do Google

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HERANÇA
Brin (à esq.) tem a mesma mutação genética que sua mãe,
Eugenia, portadora do mal de Parkinson

Sergey Brin mudou o mundo ao usar seu talento como cientista da computação e fundar o Google com o colega Larry Page, em 1998. Agora, o russo de 36 anos investe seu conhecimento e parte de sua fortuna de US$ 15 bilhões em um projeto ainda mais ambicioso: encontrar a cura para o mal de Parkinson. Em 2006, Brin descobriu que uma mutação genética faz com que ele tenha 50% de chance de desenvolver a doença degenerativa. Sua mãe, Eugenia, foi diagnosticada com o mal em 1996. Segundo a revista americana “Wired”, que dedica a capa da edição de julho à iniciativa do empresário, ele já gastou mais de US$ 50 milhões com pesquisas que tentam derrotar a doença.

A principal razão que distingue o dono do Google de outros filantropos é o tipo de ciência que ele financia (leia quadro abaixo). A maioria das pesquisas médicas usa o método clássico. Primeiro, levanta-se uma hipótese. Se os resultados dos testes a confirmarem, eles são submetidos a outros cientistas até que a descoberta seja finalmente publicada, em um processo que pode demorar anos. Mas a coisa muda de figura graças à ajuda de computadores de última geração. “Eles podem fazer cálculos que levariam mil anos em apenas três meses”, explica Wim Degrave, pesquisador do Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática da Fiocruz. “O passo da medicina é muito lento quando comparado ao da internet”, resumiu Brin à “Wired”.

O projeto financiado por ele é uma parceria entre a empresa de genética 23andMe – criada pela mulher de Brin, Anne Wojcicki – e a fundação que leva o nome do ator canadense Michael J. Fox, uma das vítimas mais célebres do mal. Já foram coletados dados de dez mil voluntários portadores da doença, que vão desde a descrição de sintomas até o histórico familiar, sem deixar de lado hábitos cotidianos como a alimentação. Em oito meses, os pesquisadores chegaram ao mesmo resultado de uma pesquisa convencional, que demorou seis anos. Se o dono do Google chegará ao seu objetivo ainda é uma incógnita. A única certeza é de que, a partir de agora, boa parte das grandes descobertas da ciência passará pelo computador.

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