Comportamento

Refúgio conectado

Uma casa aconchegante e natural, mas com tecnologia de última geração. Essa é a tendência apontada pelo maior evento de arquitetura da América Latina

Refúgio conectado

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Invadimos a Casa Cor 2010 e antecipamos com exclusividade o que o público só verá na próxima terça-feira, 25 de maio. Assista ao vídeo

 

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IMERSÃO
No banheiro de Débora Aguiar, dá para
relaxar na banheira e navegar pela internet

Depois de um dia estafante, ao chegar em casa, queremos nos desligar do mundo lá fora. Desejamos um banho quente, uma poltrona macia e, se possível, respirar um pouco de ar puro. Mas também necessitamos de um computador com banda larga, uma televisão de última geração e de outras tecnologias que possam, instantaneamente e na hora em que quisermos, nos transportar de volta ao frisson do qual acabamos de fugir. O homem contemporâneo é antagônico. E, por isso, a arquitetura e a decoração, que sempre traduzem uma época, também são. Essa ambiguidade humana, refletida no espaço no qual vivemos, pode ser presenciada, em gradações diferentes, ao longo dos 110 ambientes da Casa Cor 2010 – criados por 140 arquitetos, decoradores e paisagistas. Maior evento de arquitetura da América Latina, ele acontece de 25 de maio a 13 de julho no Jockey Club de São Paulo e reúne as principais novidades nesse conceito-tendência de “refúgio conectado”.

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PRÁTICO
Na “Suíte do Gugu”, o armário computadorizado encontra roupas
com facilidade e poupa o tempo do homem

A “Casa do Mirante”, ambiente da arquiteta Débora Aguiar, satisfaz integralmente esse morador com necessidades tão opostas. “A moradia contemporânea deve proporcionar, ao mesmo tempo, o isolamento e a fuga”, resume a arquiteta. Para fortalecer a porção refúgio de seu espaço, Débora investiu no conforto e no contato do homem com a natureza – para ela, a nossa principal fonte de bem-estar. Além de apostar num terraço amplo com vista para o Jockey, usou o mesmo piso, de madeira de demolição, da sala ao banheiro. No ambiente, também há árvores que brotam do chão e varam o teto e uma mesa-tronco. Transformar podas de árvores, praticamente in natura, em móveis rústicos é uma tendência na Casa Cor, e está presente em outros espaços. No de Débora, a tecnologia está disponível para ser usada sempre que o morador sentir falta de sua vida agitada. No banheiro, uma banheira de três toneladas de mármore esculpido acopla um computador à prova d’água conectado à internet. Ao lado, outra novidade que deve empolgar os apaixonados por tecnologia. Um vidro espelhado e translúcido esconde uma televisão embutida. Assim que o controle remoto da tevê é acionado, a imagem é vista através do espelho.

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MESA-HORTA
“No Jardim da Família”, é possível colher
a salada, lavá-la e comê-la

Débora não é a única a beber na fonte do natural. O paisagista Roberto Riscala criou uma mesa que enche os olhos. Nela, há um riacho e uma horta, com alfaces, cenouras e rabanetes. “É um convite para a integração em família e com a terra”, diz ele. “Na mesa, a pessoa pode colher sua salada na hora, lavar e comer.” Além da natureza, os profissionais da Casa Cor apostaram em outros caminhos na tentativa de criar a tão almejada sensação de refúgio. A arquiteta Clélia Regina Ângelo acaba de voltar do Salão de Móveis de Milão, a meca do design mundial. E, cheia de influências, apostou no conforto, sem medo de ousar nas cores. Sua “Saleta Íntima” traz poltronas, mantas, almofadas lúdicas e tapete felpudo. Nas paredes, dois lançamentos, a cor azul turquesa – tendência milanesa – e a tinta café com leite com efeito camurça. “O colorido traz felicidade ao morador”, diz ela, que seguiu à risca a temática deste ano do evento, “Sua casa, sua vida, mais sustentável e feliz”.

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CASULO
A arquiteta Clélia Regina apostou no mix de cores
para transmitir conforto

Outra tendência é o uso da tecnologia no sentido de promover o conforto. No próprio “Jardim da Família”, de Riscala, há um spa com 70 bocas de hidromassagem, cujo funcionamento é programado por computador. No “Loft de Inverno”, da arquiteta Fernanda Marques, um projetor reproduz imagens num telão, enquanto uma trilha sonora complementa o que os olhos veem. “É uma maneira de resgatar sentimentos que fazem bem. Se a imagem é de vento em folhagens, o som será o mesmo”, explica ela sobre sua vídeo-instalação, mais uma vez remetendo à força da natureza.

No Casa Hotel, parte integrante do evento, a “Suíte do Gugu”, desenvolvida por Glaucya Taraskevicius, comporta um armário computadorizado. “Nele, as roupas são cadastradas, e podem ser encontradas com a simples digitação de um código ou palavra”, explica a arquiteta. Bem ao lado, na “Suíte da Ana Maria Braga”, criada por Karina Afonso, há uma tela de LCD dentro do box. Dessa forma, é possível assistir à tevê enquanto se toma banho – só não vale esquecer da hora no chuveiro. Afinal, o comportamento não combinaria com uma das regras da Casa Cor, a sustentabilidade. Além disso, lâmpadas LED e de catodo frio (essa última, uma tecnologia brasileira) economizam energia em diversos ambientes do evento. É a tecnologia a favor do meio ambiente e reduzindo custos. Como se vê, o homem contemporâneo tem estímulos de sobra para exercer plenamente as suas contradições.