Eleições 2010

O vice de US$ 2 bilhões

Guilherme Leal, dono da Natura, aceita compor a chapa de Marina para provar que a defesa do meio ambiente não se opõe ao crescimento econômico

O vice de US$ 2 bilhões

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FORTUNA
Leal é o 13º homem mais rico
do Brasil, segundo a revista “Forbes”

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Ao anunciar o nome de Guilherme Leal como seu companheiro de chapa, a précandidata à Presidência Marina Silva afirmou que o empresário é “o vice dos nossos sonhos”. Dos sonhos de Marina, certamente. Presidente da Natura, dono de um patrimônio de US$ 2,1 bilhões, Leal é o 13º homem mais rico do Brasil e o 463º no mundo, segundo a revista “Forbes”. Funcionará como uma espécie de contraponto ao perfil militante e esquerdista de Marina, que, ao tempo de ministra do Meio Ambiente, provocava ranger de dentes no setor produtivo. Mas quem conhece o empresário paulista sabe que ele não é um peixe fora d’água no Partido Verde. “Guilherme quer desmontar o discurso de que quem defende o meio ambiente é contra o crescimento econômico. Isso é falso”, diz o empresário Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos e Responsabilidade Social, coordenador do movimento Nossa São Paulo. Segundo Oded, o amigo defende o desenvolvimento social e econômico, mas sustentável. Leal, já em tom de campanha, explica o que o levou a se engajar na política partidária: “Não podemos deixar de lutar pelo sonho de construir um Brasil mais justo, mais solidário, mais feliz”.

“Há pessoas que entram na política arrombando a porta. Guilherme Leal pede licença”
Marina Silva, senadora (PV-AC)

Mesmo que não queira, Guilherme Leal será para Marina Silva o que o vice José Alencar foi para o presidente Lula: a garantia de que num futuro governo do Partido Verde os empresários terão seu espaço. De acordo com o coordenador da campanha de Marina, João Paulo Capobianco, a aliança com o dono da Natura representa a aproximação de um setor com o qual nunca houve incompatibilidade, mas que sempre gerou ruídos. Leal, porém, não foi escolhido apenas por ser empresário. Contaram a seu favor as três décadas de trabalho dedicadas às causas sociais. “Eles se conheceram trabalhando na mesma causa. Ela na política, ele em sua empresa”, lembra Capobianco. O presidente do PV-RJ, Alfredo Sirkis, destaca uma face mais prática da adesão de Leal: a imensa rede de vendas da Natura. A empresa tem quase 800 mil consultoras em todo o País, em contato com mais de sete milhões de clientes em sua maioria mulheres. “Não é uma questão de votos. A Natura tem um carisma e uma capilaridade que a empresa do Alencar (Coteminas) não tinha. O Guilherme é um empresário, preocupado com o meio ambiente, que gera milhares de empregos”, comemora Sirkis.

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UNIÃO
O ex-ministro Furlan também
fará ligação de Marina com empresários

Horacio Lafer Piva, presidente da Klabin, afirma que Leal sempre foi coerente com seus princípios e não tinha nenhum projeto político até ser chamado por Marina Silva. “Ele aceitou o desafio. Admiro sua coragem. O seu modelo de gestão tem credibilidade e ele é desprendido do poder”, diz Lafer Piva. Mas o que a coordenação da campanha de Marina realmente espera de Leal é que ele quebre as resistências do setor produtivo contra os ambientalistas. A própria candidata aposta que o empresário fará valer sua experiência de homem de negócios. “Há pessoas que, arrebatadas pela proximidade do poder, entram na política arrombando a porta. Guilherme Leal é daqueles que pede licença”, diz Marina Silva.