Editorial

O senhor da crise

O senhor da crise

George Bush está prestes a entregar o bastão do governo. Oito anos após assumir o posto de homem mais poderoso do mundo, George Bush vem sendo apontado, entre patrícios, como um dos piores presidentes dos EUA. Fica ao lado de Herbert Hoover, que comandou a potência às vésperas do crash de 29. George Bush foi um desastre de proporções que só a história, mais adiante, poderá avaliar. Deixa de herança uma conta monumental que todos vão pagar. Pegou o país do antecessor Clinton com um déficit zero. Vai sair do comando com o maior déficit da história americana dos últimos 100 anos. George Bush apostou todas as fichas de sua roleta de dinheiro numa guerra insana contra o Oriente Médio. A pretexto de combate ao terrorismo, gastou na casa dos trilhões de dólares lá. Há alguns dias, anunciou um socorro à economia americana da ordem de US$ 150 bilhões. Um pingo d’água no portento que são os EUA. O valor é menos da metade do que ele destinou só neste ano de 2008 para continuar os combates no Iraque. A desproporção de prioridades foi estarrecedora. O mundo reagiu em pânico, prevendo as conseqüências. As bolsas tremeram. O senhor Bush dirige seu país, e por tabela o planeta, com impulsos juvenis. É um garoto dirigindo o Boeing. Nunca aceitou que Bush-pai, já no panteão de expresidentes, tenha perdido a guerra para o Iraque de Hussein. Foi à forra. Caçou o rival paterno. Torrou o tesouro na caçada. Sem piloto na economia interna, bancos decidiram dar sua cota de inconseqüências financeiras. Na gestão temerária de empréstimos, liberaram dinheiro a rodo, sem critério, como se a conta fosse infindável. Não era. Levaram um calote dos grandes. Empurraram para a viúva. Afinal, tudo era possível na terra da exuberância irracional e das oportunidades sem fim. George Bush avalizou cada centavo da farra. O problema é que ainda não se sabe o tamanho dela. Por enquanto, já no saldo de sua gestão de barbeiragens, o dólar agora é furado. Deixou de ser porto seguro do planeta. A roda financeira do mundo se mexe. Está em busca de nova âncora. O euro habilitou- se. Bush perde o patrimônio dos seus antecessores para a experiência do Velho Mundo.