Tecnologia & Meio ambiente

O robô que entende de vinho

Munido de sensores e chip especiais, ele é um criterioso sommelier

ÁGIL Papero é auxiliar de escritório, babá eletrônica e enólogo nos finais de semana

Imagine a cena: entra-se em um restaurante e pede-se ao maître para chamar o sommelier. A surpresa: com cara de brinquedo que se move a controle remoto, aproxima-se Papero, 40 centímetros de altura e pesando cinco quilos. Eis o especialista da casa em vinhos. Agora, mudando-se o cenário mas mantendo-se o personagem principal, vamos ao moderno laboratório da NEC System Technologies, na cidade japonesa de Mie. É nele que o robô Papero foi construído para auxiliar nos mais diversos serviços domésticos. Ele funciona como babá eletrônica, faz a função de um atento leitor de cartas, ajuda a reconhecer pessoas, consegue ligar e desligar tevê ou aparelho de som, tem capacidade de comunicação via celular. E, não bastasse tudo isso, Papero também “degusta” vinhos e café.

Quando os engenheiros da NEC desenvolveram a primeira versão desse robô pessoal, eles já cogitavam de dotar o “pequeno prodígio tecnológico” com outras funções que ultrapassassem a execução de tarefas caseiras. “Pensamos em muni-lo com raios infravermelhos pasra possibilitar a ele a análise de moléculas de alimentos”, diz o engenheiro Atsushi Hashimoto. E assim foi feito. O simpático robô, chamado PArtner PErsonal RObot (as primeiras letras das três palavras formam o apelido Papero), acabou sendo aperfeiçoado e em sua forma atual é capaz de analisar não apenas alguns alimentos, mas, também, a qualidade e o sabor de centenas de vinhos. Ou seja: ele nasceu “caseiro” em 2001 e agora, em 2008, foi tirado de casa para “trabalhar” em restaurantes. Hashimoto e sua equipe fizeram dessa engenhoca o primeiro robô do mundo que funciona como enólogo e “provador” de café, tão eficiente a ponto de alertar o consumidor: “Pode beber essa xícara, o nível de açúcar está bom.”

Para a específica função de sommelier, Papero recebeu um chip que possui armazenadas as informações fornecidas por especialistas sobre uma infinidade de vinhos. Então, quando a taça de um bordeaux é colocada sobre a mesa, os infravermelhos de Papero “farejam” sua composição (como se consultassem uma precisa e minuciosa enciclopédia) e em poucos segundos ele verbaliza: “Tratase de um vinho de corpo médio, taninos ainda presentes e de boa qualidade. O retroolfato revela frutas escuras, chocolate e tostado. Foi envelhecido em barrica de carvalho francês.” De quebra, ele ainda sugere qual o melhor prato para acompanhar a bebida escolhida: “O sabor amargo desse vinho se harmoniza com pratos de carne vermelha.” Em todo o Japão e na Europa é crescente o número de interessados em adquirir esse robô, até porque ele se torna uma atração à parte e especial para o restaurante que o tiver. Tal demanda vai ao encontro dos propósitos da NEC, que pretende estabelecer parcerias com indústrias do setor tecnológico para viabilizar a sua produção e comercialização.