Edição nº2488 18.08 Ver edições anteriores

O despertar do ditador

Se Lula e Dilma hoje igualam presos políticos a bandidos, o que será que podem fazer amanhã?

Os monstros estão acordando. Aos poucos, saem do armário e revelam sua verdadeira natureza. Na semana passada, o presidente Lula comparou os presos políticos, trancafiados nas masmorras cubanas, a bandidos comuns, presos no Brasil. E disse que greves de fome não podem ser feitas em nome dos direitos humanos. Dilma Rousseff, sua criatura, endossou as declarações do criador. E o mínimo que se pode dizer é que ambos se tornaram cúmplices do banho de sangue sistemático que se promove há anos pela ditadura castrista.

Esta, no entanto, é a leitura mais apressada. É possível também acusar a dupla do mais deslavado cinismo, pois o governo brasileiro está prestes a conceder asilo político ao esquerdista Cesare Battisti, que foi condenado à prisão na Itália por assassinato e que, no Brasil, fez greve de fome justamente para não ser extraditado ao seu país de origem. Em nome de que valores universais o governo abrigaria Battisti? Dos direitos humanos, ora bolas. Portanto, o mesmo Lula que pede respeito às leis de Cuba, uma autêntica democracia que não promove eleições há mais de cinco décadas, ignora as da Itália, uma notória tirania.

Lula não é ignorante. Aliás, nunca foi. Conhece o significado das palavras e, melhor do que ninguém, sempre soube adaptar o discurso a seus objetivos. No passado, ele próprio foi preso político e fez greve de fome de seis dias, muito embora já tenha confessado o “contrabando” de guloseimas para a cela com a ajuda do delegado Romeu Tuma, que deveria mantê-lo encarcerado – graças ao episódio, Lula recebe hoje uma polpuda aposentadoria pública. Mas se o argumento usado pelo presidente para defender a ditadura cubana for levado ao extremo, uma única conclusão será possível. Se as pessoas que hoje estão presas por razões políticas em outros países equivalem a bandidos comuns, os eventuais presos políticos de amanhã no Brasil também não serão chamados de outra coisa por Lula – serão bandidos comuns, assim como assassinos, ladrões e estupradores. Ou “apenas presos”, como diz Dilma.

Sempre haverá quem diga que as gafes presidenciais não devem ser levadas a sério. Mas Lula vive hoje o auge de sua potência e é quase um deus, movendo todas as peças do tabuleiro político. Inventou a candidatura do PT, tenta impor o nome do vice ao PMDB e trabalha dia e noite para exterminar a oposição, com o apoio de sua polícia política – uma polícia, aliás, criada por discípulos de Tuma. Lula só não pode tudo porque ainda existem instituições no Brasil, como o Supremo Tribunal Federal, que atuam como contrapesos ao poder presidencial. Mas o pequeno ditador que mora dentro de Lula está acordando. E não tem uma cara boa.


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