Medicina & Bem-estar

Mais estudos condenam a reposição hormonal

Pesquisas com mulheres acima de 65 anos sugerem que a terapia aumenta o risco de perda de memória e demência

Mais estudos condenam a reposição hormonal

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A controvérsia em torno da terapia de reposição hormonal, um tratamento indicado para reduzir os sintomas da menopausa, parece não ter fim. Agora, dois novos estudos americanos sugerem que mulheres que começam a fazer reposição hormonal após os 65 anos têm maior risco de desenvolver problemas neurológicos, como perda de memória e demência.

Também mostram que não há evidência de que a terapia hormonal aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como mostravam estudos anteriores. Essas conclusões foram publicadas na edição de janeiro do periódico da Academia Americana de Neurologia. Os trabalhos foram conduzidos por cientistas da Universidade Wake Forest e do Instituto Nacional de Envelhecimento dos EUA e faz parte de um megaestudo sobre reposição hormonal que começou em 1998 com mulheres a partir dos 50 anos.

As duas pesquisas envolveram 1,4 mil mulheres com idades entre 65 e 89 anos. Nesta população, comparando- se com o grupo que tomou placebo, os pesquisadores identificaram uma redução do tecido de duas importantes áreas cerebrais: o lobo frontal e o hipocampo, regiões responsáveis pelas funções motoras e pela memória. “Nossos achados sugerem uma possível explicação para o aumento do risco de demência em idosas”, afirma Susan Resnick, pesquisadora do Instituto Nacional do Envelhecimento. “Nessas mulheres a terapia hormonal teve um efeito negativo sobre importantes estruturas cerebrais.” Segundo a pesquisadora, é possível que elas já apresentassem algum tipo de alteração neurodegenerativa e a reposição tenha agravado o problema.

Outra descoberta importante diz respeito às doenças cardiovasculares. Contrariando dados anteriores, os pesquisadores afirmam não haver evidência de que o tratamento hormonal aumente o risco de AVC, por exemplo. Os resultados das pesquisas, porém, foram questionados. Muitos especialistas dizem que o perfil das mulheres da pesquisa não poderia servir como referência, pois, em geral, a reposição começa bem antes dos 65 anos. Nessa fase, a mulher pode apresentar outros problemas relacionados ao envelhecimento, como dificuldades circulatórias, que poderiam ser agravados pelo tratamento hormonal. Para a médica Ruth Clapauch, do departamento de endocrinologia feminina e andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, esses fatores também influenciam.

“A terapia é indicada para mulheres entre 48 e 50 anos ou quando os primeiros sintomas começam a surgir. Para esse grupo a reposição hormonal traz mais benefícios que riscos”, afirma.

 

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