Cultura

Bons companheiros

Quatro sugestões para começar o ano em boa companhia.

Bons companheiros

 

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EXTREMIDADES DO VÍDEO/
Christine Mello/ Editora SENAC
São Paulo/ R$ 45

Uma coleção de DVDs, um livro de cabeceira, um livro de be las imagens para ficar sobre a mesa e um livro fundamental na biblioteca de qualquer um que se interesse por arte contemporânea. Quatro sugestões para começar o ano em boa companhia.

A experiência do vídeo no Brasil é, sob a ótica critica de Christine Mello, um campo de sinergias com a arte contemporânea. Mais que um meio em si – como é a pintura, a escultura ou a fotografia –, o vídeo seria “um canal de comunicação entre várias linguagens”.
Para dar conta das características híbridas do fenômeno videográfico que acontece em todo o território nacional, a autora partiu de uma ampla e inédita pesquisa de campo, em que terminou por sistematizar um banco de dados com 2.500 títulos. A partir desse material, hoje acessível no site http://www.sescsp.org.br/sesc/videobrasil/vbonline/bd/ index.asp, Christine produziu um ensaio teórico que funciona como um jogo de montar e desmontar. Seu livro começa por construir uma trajetória cronológica, para em seguida desconstruí-la e chegar ao ponto central de sua pesquisa, o que ela chama de “extremidades” do vídeo.

Quatro ensaios poéticos constituem o livro Onde a água encontra a terra. Reunidos em torno do tema do encontro, o curador Paulo Herkenhoff, a historiadora da arte Carol Armstrong, o historiador e pintor Fernando Azevedo e o fotógrafo Leonardo Kossoy tecem e trocam impressões acerca não apenas do encontro das águas com a terra, mas também de outras relações binárias, como natureza e civilização; imagem e teoria. São três ensaios fotográficos e um ensaio crítico, produzido por Herkenhoff. Mais familiares ao campo da crítica e da teoria do que ao território da produção de imagens, Carol Armstrong e Fernando Azevedo comparecem com fotografias. O resultado preserva muito da intensidade poética da fonte em que Carol bebeu para conceber o projeto: a produção literária da inglesa Elisabeth Bishop em seus 15 anos vivendo no Brasil.

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EXTREMIDADES DO VÍDEO/
Christine Mello/ Editora SENAC
São Paulo/ R$ 45

Com o auxílio de seu fiel gravador portátil (com quem se dizia casado), Andy Warhol concebeu seu livro. Sim, além de fotografar, filmar, produzir banda de rock, editar revista de celebridade, pintar, bordar e plantar bananeiras no sisudo sistema de arte nova-iorquino dos anos 60, ele ainda escrevia! Entre a autobiografia e o diário, o livro é uma coletânea de máximas. Publicado em 1975, quando Andy já se igualara às divas da cultura americana, o livro disserta sobre sexo, arte, dinheiro, drogas, música, fama. A coisa fica séria quando fala de solidão. É delicioso quando ele conta como se tornou popular justamente ao decidir ser um solitário. E de como seu apartamento na Rua 47 com a 3ª Avenida se tornou uma “festa permanente”, recebendo a visita de “curiosos” como Jack Kerouac e os Rolling Stones.

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EXTREMIDADES DO VÍDEO/
Christine Mello/ Editora SENAC
São Paulo/ R$ 45

“É isso o que os pajés retiram de dentro das pessoas”, diz Kalusi, o pajé mais requisitado da aldeia Kuikuro, em Mato Grosso, ao olhar para a câmera e mostrar uma pequena semente. Ele veste uma camiseta onde se lê: digital revolution. A cena é emblemática da realidade brasileira: há pelo menos 20 anos, algumas de nossas populações indígenas aprenderam a lidar com a linguagem audiovisual, a operar câmeras de vídeo e a fazer seus próprios filmes. Essa revolução digital já aconteceu entre os povos Kuikuro, Panará e Huni Kui. A partir de iniciativas de preservação de seus patrimônios culturais e do contato com projetos como o Vídeo nas Aldeias, eles estão aparelhados para contar suas histórias. Seis desses filmes – que acumulam prêmios em festivais no Brasil, na Inglaterra, no Canadá e em Portugal – estão reunidos na coleção de DVDs Cineastas indígenas.

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EXTREMIDADES DO VÍDEO/
Christine Mello/ Editora SENAC
São Paulo/ R$ 45