Artes Visuais

Como olhar o céu

Na fachada da Galeria Vermelho, a obra "Eclipse" anuncia o tema que rege a nova exposição da dupla Detanico e Lain: a conjunção

Léxico – Angela Detanico e Rafael Lain/ Galeria Vermelho, SP/ até 20/2

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EXPLOSÃO
“Univers” estilhaça a palavra escrita com a fonte tipográfica

Na fachada da Galeria Vermelho, a obra “Eclipse” anuncia o tema que rege a nova exposição da dupla Detanico e Lain: a conjunção. Nas oito obras expostas, cruzam-se e relacionam-se pelo menos duas grandes áreas do conhecimento: a astronomia e a linguística. Entrar na galeria, nesse caso, é como entrar em um observatório dos sistemas que criamos para descrever o mundo. Conhecidos por levar a cabo um trabalho de organização, catalogação e codificação de informação que beira o da pesquisa científica, os artistas propõem aqui diferentes maneiras de olhar para o céu. Em seu ato minucioso de observação, usam diferentes lentes, mas sempre com o intuito de formar novos desenhos e constelações. Em “Analema”, o traçado do deslocamento do sol no céu durante um ano é redesenhado por uma frase criada com 365 letras. Já os mapas estelares dos Hemisférios Norte e Sul constituem as tramas originais trabalhadas em “Léxico”, “Constelações do Alfabeto” e “Estrelas do Sul”. Nos três casos, estrelas são substituídas por letras gregas que, a partir do século 17, passaram a classificar a ordem de grandeza dos astros, segundo o sistema desenvolvido pelo alemão Johann Bayer. Em “Léxico”, os mapas estelares dão forma a palavras de origem grega, como hemisfério e simetria. Há muita complexidade na obra de Detanico e Lain e cada trabalho requer dos artistas muito tempo de pesquisa e aprendizado. Mas há também um aspecto lúdico que a aproxima de jogos tão simples como ligar pontos ou caçar palavras. “Uma criança de 5 anos, alfabetizada, pode ler nossos trabalhos. É questão de propiciar ao espectador o aprendizado de novas leituras”, desafia Rafael Lain.