Editorial

Bolívia enfrenta Brasil, de novo?

Evo Morales, o burlesco presidente boliviano, fez de novo. Ratificou o monopólio de derivados de petróleo e gás do país, encampando o que não é dele. Disse que o dinheiro das refinarias, daqui por diante, vai direto para a conta bancária da YPFB, a estatal petrolífera local. Detalhe: é da brasileira Petrobras a maioria das refinarias. Hoje, a Petrobras é responsável por toda ? repetindo, toda ? gasolina consumida pelos bolivianos. Contribui com 22% dos impostos arrecadados naquele país. É tentacular sua atuação local. Mas os bolivianos, por ordem do comandante maior Morales, decidiram limitar o papel das tais refinarias da Petrobras à condição de meras prestadoras de serviço. Ignorando o bilionário investimento colocado ali, rasgando contratos, querem pagar uma espécie de bônus mensal pela operação. Na prática, o governo boliviano idealizou um controle absoluto sobre um direito fundamental da iniciativa privada: o direito à busca do lucro por seus investimentos. Claro que não vai vingar. Nenhuma companhia em condições normais deve querer, daqui para a frente, embarcar nessa aventura de risco. O golpe foi baixo, preparado por Morales enquanto ainda negociava uma espécie de indenização pelo confisco anterior de bens e direitos que ocorreu em maio passado, quando os tanques invadiram a refinaria da Petrobras naquele país. Lá atrás, a reação do governo brasileiro, que até negociou a ida de novos investimentos para o território de Morales, foi considerada tímida. Esperava-se que o bom senso prevalecesse entre bolivianos. Que o contencioso fosse superado. Autoridades brasileiras chegaram a se dizer surpresas com mais esse bote. A surpresa, na verdade, não veio de Morales. Surpreendente é que ainda haja quem acredite nele.