Brasil

As novas divas do jazz

Com novo visual e olhos no mercado, Madeleine Peyroux e Diana Krall se firmam nesse gênero de música

Uma tem nome francês, mas é americana. A outra tem sobrenome alemão, mas é canadense legítima. Elas são a morena Madeleine Peyroux e a loira Diana Krall e estão sendo consideradas nos EUA as novas divas do jazz. Nasceram na era do look, conhecem o poder da maquiagem e das roupas sensuais e honram isso: exibem um visual muito diverso daquele tradicional e austero que consagrou as antigas cantoras desse gênero. Elas também entendem, e muito, de mercado musical: Madeleine e Diana sempre incluem em seus repertórios alguns clássicos do passado, seguindo a máxima de que aquilo que fez sucesso pode fazê-lo novamente. Tudo está dando certo: a venda de seus discos continua escalando milhões de cópias. Assim, em um vaivém entre o jazz e o pop, as duas cantoras estão agora brilhando nas lojas com dois excelentes trabalhos: Half the perfect world (Rounder/Universal) e From this moment on (Verve/Universal).

Diana Krall tem 41 anos, é pianista e já gravou, com grande sucesso, até disco de músicas de Natal no ano passado. Em The girl from the other room, seu trabalho de 2004, Diana assinou seis canções com o marido, o roqueiro Elvis Costello. No atual From this moment on, ela volta à sua praia gravando só standards de jazz, coisas refinadas de Cole Porter, Irving Berlin, Jimmy van Heusen, Rogers and Hart, irmãos Gershwin e, claro, de Antonio Carlos Jobim (a música How insensitive).

Aos 33 anos, Madeleine Peyroux gravou três discos. No primeiro, Dreamland, ela se apropriou do repertório de Billie Holiday, o que realçou a semelhança de timbre de voz entre ambas. Foram precisos mais dois discos para Madeleine tentar provar que não é apenas um clone. Conseguiu isso. No recém-lançado Half the perfect world, ela preferiu um time de compositores mais populares e colocou a sua voz em canções de Leonard Coen, Joni Mitchell e Serge Gainsbourg. Cada uma a seu jeito, Diana e Madeleine conquistaram o seu espaço e na última lista da revista Downbeat, a bíblia do jazz, emplacaram respectivamente a terceira e a quinta posição. Elas são hoje as estrelas emergentes no fechado território desse gênero musical.