Economia & Negócios

Desemprego jovem

Arrumar trabalho nas grandes cidades é mais difícil para quem tem entre 16 e 24 anos. Há saída?


Conseguir emprego não é fácil para a maioria das pessoas. Se você é jovem e vive em uma grande metrópole, como São Paulo ou Rio de Janeiro, ser contratado está ainda mais difícil. Que o digam os cariocas Adriana Araújo, 24 anos, e Cristiano Antunes, 23, que engrossavam a fila em uma agência pública de empregos no Rio de Janeiro, na tarde da quarta-feira 20. Ou os paulistas Daniel César Gaeta, 22 anos, e Renata Moralez, 23, que no mesmo dia cadastravam seus currículos em sites na internet. Adriana quer trabalhar com telemarketing. Cristiano busca renda para pagar uma faculdade. Daniel é formado em administração e prefere a área de marketing, mas anda topando qualquer setor. E Renata, aluna do último ano de jornalismo, quer trabalhar em revistas ou na tevê. Os quatro são a face humana das estatísticas sobre as dificuldades de se empregar no País.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou novos números na semana passada. Os jovens de 16 a 24 anos representavam, em agosto, 46% dos desocupados em seis regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre. Por desocupados entenda-se as pessoas que estavam desempregadas na semana anterior à pesquisa e já procuravam trabalho um mês antes. Nada menos que 1,1 milhão de pessoas até 24 anos estavam desempregadas. Enquanto a taxa média de desemprego da população em geral é 10,6%, entre os jovens o índice é de 23,5%, mais que o dobro. No total, a pesquisa contabilizou 2,4 milhões de desempregados e 20,4 milhões de ocupados nessas cidades.

Outro levantamento recém-divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) chegou a conclusões semelhantes. Os jovens de 16 a 24 anos representam 45,5% do total de pessoas sem trabalho nas regiões metropolitanas de São Paulo, Distrito Federal, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre. Esse grupo corresponde a 1,5 milhão dos 3,2 milhões de desempregados acima de 16 anos. Nessas regiões, os jovens com até 24 anos também sofrem mais para ser contratados que a população com mais de 25 anos: em Salvador, por exemplo, a falta de emprego atinge 41,4% no primeiro grupo, comparada a 18,3% no segundo.

A pesquisa do Dieese, feita em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Ministério do Trabalho e Emprego e governos locais, foi elaborada sobre dados de 2005. Nela, o conceito de desemprego é diferente do utilizado pelo IBGE e inclui também pessoas que procuraram colocação nos últimos 12 meses e se encontram em situação de trabalho precário (fazendo bicos, por exemplo) ou desalento (sem ânimo ou dinheiro para continuar procurando). Quaisquer que sejam os critérios, o fato é que os índices de desemprego entre os jovens brasileiros são altos demais e não caíram nos últimos anos, apesar dos programas oficiais. “É um problema sério. O impacto é muito grande nas famílias, especialmente nas de renda mais baixa”, diz Patrícia Costa, técnica do Dieese.

É verdade que esse fenômeno também acontece em outros países. Como aqui, superam em duas ou três vezes a taxa média da população sem trabalho. Nos EUA, a taxa de desemprego até 25 anos foi de 11,3% no ano passado. Na Espanha, 19,7%. Em Portugal, 16%. Na França, o índice foi de 21,4% em julho passado. “Os governos precisam fazer políticas públicas específicas para os jovens, criando mais empregos ou mantendo-os mais tempo nas escolas”, diz Patrícia.

Investimentos em escolas profissionalizantes e cursos técnicos são essenciais para alterar essa realidade no Brasil, defende Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. “Os jovens enfrentam uma dificuldade enorme porque as empresas exigem experiência e conhecimento”, diz ele.

Mas não são apenas os problemas estruturais envolvendo a educação da força de trabalho que agravam a situação. Os jovens também têm sua parcela de culpa na dificuldade de arrumar trabalho. “Normalmente, quem tem até 25 anos gasta pouco tempo procurando emprego e não tem disciplina”, diz Renato Nishimura, diretor da consultoria Thomas Case & Associados.

Segundo suas pesquisas, os jovens gastam em média apenas 15 horas por semana para buscar trabalho. Daniel Gaeta fica cerca de uma hora por dia na internet em busca de vagas. “Já me cadastrei em todos os sites”, diz. A estudante Renata dedica “meia horinha por dia”. As chances de contratação são maiores para os que perseveram mais. “Para ter sucesso, o desempregado precisa encarar a tarefa como se fosse um trabalho e se dedicar a ela quatro ou cinco dias por semana”, recomenda Nishimura.