Medicina & Bem-estar

A última geração dos filtros

Novos produtos poderão tratar queimaduras e até mesmo melhorar a aparência da pele

Para cumprir sua função, bastava que o filtro solar protegesse o corpo da radiação do sol. Mas os cientistas querem mais. Nos laboratórios, surge uma nova geração de produtos com outros benefícios. A descoberta mais interessante, anunciada na Inglaterra, dá conta de uma fórmula de protetor capaz de tratar queimaduras de pele causadas pela exposição sem cuidados. O segredo é um ingrediente que absorveria as doses de ferro liberadas quando ocorre uma queimadura, reduzindo a inflamação e a dor. O estudo, ainda em fase inicial, foi publicado na revista Journal of Investigative Dermatology.

Sob o sol dos trópicos também se buscam novas substâncias. Está em testes no Instituto de Química da Universidade de Brasília um óleo extraído da castanha-do-pará que poderá fazer parte de novos filtros. Trabalhos com animais mostraram que um dos componentes do óleo bloqueia os raios ultravioleta UVA e UVB, responsáveis por danos às células. Na Universidade de Pernambuco, o cientista Petrus Oliveira estuda a criação de um filtro com nanopartículas (extremamente pequenas) de óxido de zinco com a perspectiva de ser um produto mais barato.

Nas indústrias também há avanços. Além dos conhecidos filtros físicos e químicos, uma terceira categoria de substâncias começa a ser usada. São os filtros orgânicos. “Eles protegem a imunidade da pele”, diz Maya Maalouf, diretora da Anna Pegova no Brasil. Outras modificações são a redução de corantes e aromas para diminuir as alergias e o acréscimo de ingredientes que tratam a pele. Produtos da Natura e da Nívea, por exemplo, trazem compostos para combater moléculas que aceleram o envelhecimento cutâneo. “O novo conceito de filtros une proteção, hidratação e rejuvenescimento”, diz a dermatologista Shirlei Borelli, de São Paulo.

A recomendação é usar filtro solar com fator de proteção entre 15 e 30, se possível junto com um hidratante. “Os jovens devem saber que 80% da radiação solar que danifica a pele ao longo da vida é absorvida até os 20 anos”, alerta Lúcio Bakos, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.