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Melhor esperar a versão 2.0

Sim, o iPad realmente pode revolucionar a forma como interagimos com os computadores. Mas Steve Jobs ainda não chegou lá

Melhor esperar a versão 2.0

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Conheça o iPad, novo produto do Apple, que chega para tomar o lugar dos netbooks e brigar com e-readers como o Kin­dle

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Steve Jobs sabe jogar para a torcida como ninguém. Ao subir ao palco na quarta-feira 27, e anunciar um produto “realmente mágico e revolucionário”, o homem que enterrou a indústria fonográfica com o iPod e transformou o mundo da telefonia com o iPhone disse o que todos queriam ouvir. Há meses o mercado fervilhava com a expectativa do lançamento do tablet (híbrido entre celular e laptop, em definição simplista) da Apple. Jobs soube usar o vento a favor para encher os olhos dos usuários em um evento transmitido ao vivo pela internet e coberto por praticamente toda a imprensa mundial. Mas a euforia logo deu lugar ao espírito crítico – e aí os pontos fracos do iPad começaram a ser destrinchados.

Não há dúvida de que a máquina pode mudar nossa relação com os computadores. Simples de usar, ela lembra um iPhone gigante, com seu acabamento em alumínio polido e apenas um botão. Jobs não economizou na agressividade ao afirmar que o iPad chegou para tomar o lugar dos “netbooks baratos” e brigar com e-readers como o Kin­dle, sucesso da Amazon. Ele está certo. Editoras de livros, revistas e jornais apostam na venda de seu conteúdo na nova iBookstore da Apple. Analistas afirmam que, finalmente, estamos diante de uma plataforma capaz de transportar a experiência do papel para o mundo digital. Gigantes como Time Inc. e Condé Nast já preparam versões de títulos como “Wired”, “Vanity Fair” e “Sports Illustrated” na esperança de embarcar em um novo modelo de negócio e cobrar pelo acesso de seus leitores – manobra que pode fazer com que uma indústria em crise nos EUA dê a volta por cima.

Quanto às críticas, boa parte delas pode ser creditada à estratégia de lançamento do produto. Exímio negociante, Jobs sabe que um gadget em evolução constante pode ser um fator multiplicador de vendas – basta lembrar a história de outros “brinquedos” da Apple para confirmar tal constatação. É melhor, então, esperar a versão 2.0, que certamente será mais avançada. Por enquanto, o tablet usa o mesmo sistema operacional da versão mais recente do iPhone (OS 3.2), o que torna impossível abrir mais de um programa ao mesmo tempo. O problema deve ser corrigido com o lançamento prometido para breve do novo OS 4.0, mais uma fonte de lucro para Jobs. Também não há câmera embutida, o que impossibilita chats em vídeo e a gravação de imagens – empecilho a ser resolvido na segunda geração do iPad. Além disso, não existem entradas no formato USB ou para cartões de memória. A única opção é a clássica e limitada porta igual à do iPod. Por último, assim como o iPhone, o tablet não lê arquivos em Flash, formato praticamente universal de animação na internet. Ao que tudo indica, apenas mais um problema a ser logo resolvido. De qualquer forma, teremos de esperar até o início das vendas nos EUA, no final de março, para saber como o mercado receberá o iPad. Ele será comercializado em diferentes configurações de memória e conectividade (Wi-Fi e 3G) e os preços variam de US$ 499 a US$ 829. O resto do mundo terá de esperar até junho para colocar as mãos na novidade. Ainda não há confirmação de lançamento no Brasil.

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