Comportamento

Folia de rua privatizada

Terceirização do concorrido Carnaval de blocos do Rio é a oportunidade de organizar a festa

Folia de rua privatizada

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NA ORLA
Multidão no ano passado: poucos banheiros

Pelas ruas do Rio de Janeiro, este ano, 2,5 milhões de pessoas vão pular e cantar músicas carnavalescas atrás de 465 blocos em mais de 650 desfiles, da zona sul à zona norte. Tradicionalmente, após quatro dias de folia a cidade vira um chiqueiro, tamanha a imundice e o mau cheiro em função do uso de praças e muros como mictório. Mas, como diz a famosa marchinha “Até Quarta-Feira”, de H. Silva e Paulo Sete, “este ano não vai ser igual àquele que passou”. A prefeitura terceirizou o Carnaval de rua. Passou o estandarte para uma cervejaria, a Antarctica, que vai gastar R$ 5 milhões com quatro mil banheiros químicos – no ano passado foram apenas 900 –, pagamento de 500  diárias para controladores de tráfego, instalação de 500 faixas de sinalização de trânsito, entre outras medidas. Em troca, poderá exibir os pinguins de sua logomarca em alguns pontos da cidade. “Será o melhor e mais organizado Carnaval, com estrutura para a festa e tranquilidade para quem não é folião”, afirma o secretário municipal de Turismo do Rio, Antonio Pedro Figueira de Mello. A iniciativa é bem- vista pelo grupo Sebastiana, que reúne alguns dos mais tradicionais blocos da cidade. “Só não pode haver uma ocupação excessiva da marca, para que os blocos não fiquem com a cara da empresa”, pondera Rita Fernandes, presidente da organização.

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PREPARATIVOS
Banda de Ipanema este ano: um dos 465 blocos do Rio

E, principalmente, não haverá monopólio na venda de cervejas. Os ambulantes vão vender as marcas que quiserem. Outra novidade: os blocos terão trajeto e  horário de saída divulgados previamente pela prefeitura. A iniciativa contrasta com a prática de algumas agremiações de omitir esses dados para evitar um número excessivo de foliões. Alvanísio Damasceno, diretor do tradicional Carmelitas, de Santa Teresa, ainda não sabe avaliar o impacto da  mudança. “Mas concordamos que será uma forma de ter respeito com as pessoas”, afirma. A organização da festa – a primeira desde que o Rio venceu a disputa para sediar a Olimpíada de 2016 e virou, internacionalmente, uma cidade da moda – é muito bemvinda e é um sinal positivo para os turistas. Não por acaso, levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ) revela que a ocupação dos hotéis  para o Carnaval já bateu os 85% da capacidade.

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