Cultura

Como será o megashow de Beyoncé

A cantora americana faz valer o cachê de US$ 1,5 milhão - e até voa sobre a plateia

Como será o megashow de Beyoncé

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O tradicional dicionário inglês “Oxford” incluiu uma palavra criada recentemente em suas páginas: “bootylicious”, que em português nada vernacular significa pura e simplesmente “popozão”. O motivo da inclusão da gíria é que ela foi popularizada pela cantora americana Beyoncé em um de seus sucessos e, de certo modo, passou a definir o seu estilo: uma mistura de soul, hip-hop e dance music ancorada numa voz potente, belas pernas e um corpo de violão. A partir da quinta-feira 4, o furacão Beyoncé, 28 anos e quase 120 milhões de discos vendidos, vai dar o ar da graça no País com a turnê “I Am… Tour”, com a qual vem cruzando o mundo desde março do ano passado – os shows sempre lotados aumentaram a sua fortuna em US$ 53 milhões. A turnê começa em Florianópolis, passa por São Paulo, Rio de  Janeiro (com duas datas) e aporta em Salvador em pleno grito de Carnaval, na quarta-feira 10. É a primeira vez que a pop star mais aclamada dos últimos anos vem ao Brasil e ela chega no auge da carreira. Antes de aterrissar com sua bagagem repleta de figurinos exclusivos assinados pelo estilista francês Thierry Mugler e de sapatos altíssimos (cerca de 15 cm, para aumentar mais a sua altura, de 1,70 m), a artista marca presença, no domingo 31, na entrega do Grammy, o mais importante prêmio da indústria fonográfica. Beyoncé lidera a lista de indicações, concorrendo a dez prêmios – a julgar pelos outros dez que já ganhou em 20 anos de carreira, a moça pagaria excesso de bagagem. Caso não viajasse num avião particular, claro.

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BOA FORMA
Beyoncé capricha na dança e no visual do espetáculo que em um ano já lhe rendeu mais de US$ 53 milhões

Com Beyoncé chegam ao Brasil, além do pai e empresário, Mathew, e da mãe e figurinista, Tina, cerca de 100 pessoas, cada qual com uma função específica. Elas cuidam desde o cardápio especial até os complexos truques do espetáculo, pois, como convém aos megashows de hoje, os efeitos visuais e a qualidade do som são requisitos indispensáveis para se fazer valer o preço exorbitante dos ingressos. Em São Paulo, por exemplo, uma entrada na frente do palco custa R$ 600. Bate o preço dos tíquetes na mesma região da plateia para os shows das bandas de rock Coldplay e Guns’n Roses, duas outras grandes atrações da aquecida agenda de turnês internacionais no País. O preço alto tem suas vantagens: bem no meio dessa área privilegiada do espetáculo de Beyoncé será montado um pequeno palco e quem se posicionar ao seu redor poderá tocá-la – ou até mesmo carregá-la. Dependendo da empolgação, a cantora costuma fazer aí um “stage diving” (mergulho na plateia). Para chegar ao local, vinda do palco principal de 24m de largura por 20m de altura, ela  simplesmente voa, alçada em cabos de aço. É o ápice da apresentação de duas horas e meia que a pop star levou oito meses para  colocar de pé e a que sempre assiste após os aplausos. Segundo ela, é comum enxergar algo que precisa ser aperfeiçoado, mesmo depois de 103 shows. “Estou sempre insatisfeita”, disse ela na edição da revista “Forbes” que a posicionou no quarto lugar entre as celebridades mais poderosas do show biz, com renda anual de US$ 87 milhões em 2009. Madonna continua na frente em faturamento e domínio dos negócios, mas, diante da velocidade com que Beyoncé vem conquistando espaço, o reinado da material girl anda por um triz. E a performance ao vivo da rival faz jus à essa ambição. Já no início do espetáculo, ela conquista a plateia com um hit fulminante – “Crazy in Love”, música escolhida como a melhor da década passada por inúmeras publicações especializadas e que traz a participação pré-gravada do seu marido, o rapper Jay Z.

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Diante de um telão de 128 metros  quadrados, a cantora surge como uma silhueta em meio à intensa fumaça de gelo seco e logo se põe a dançar, acompanhada de nove  bailarinos e sustentada pelo balanço de um grupo de dez músicos. Distribuída em dois níveis feitos de material transparente, a banda ganha peso com duas baterias, cada uma de um lado do palco. Detalhe: o grupo, chamado Suga Mama, é formado apenas por mulheres. Para reforçar esse lado feminista, Beyoncé encarna no espetáculo a personagem Sasha Fierce, uma mulher guerreira de atitude altiva e erotizada, bem ao estilo das heroínas das histórias em quadrinhos. Quando lançou o álbum que serviu de base para o repertório do show, o best seller “I am… Sasha Fierce” (quatro  milhões de cópias vendidas), a pop starexplicou a origem dessa Valentina do hip-hop: “Ela é mais sensual e agressiva, mais glamourosa e extrovertida, tem um lado que só aparece em mim quando estou no palco.” Além do sapato salto 15, a personagem Sasha Fierce adora os chamados “leotard”, o famoso colant de mulher gato. O estilista Thierry Mugler desenhou dez modelos diferentes para Beyoncé, que os veste com desenvoltura, como no momento em que interpreta o seu maior sucesso, “Single Ladies (Put the Ring On It)”, aquela música que os bebês adoram e que foi parar até no desenho animado “Alvin e os Esquilos 2”. Antes de iniciar a coreografia com rebolados que mereciam medalha de ouro em Olimpíada, o telão exibe vários famosos tentando repetir a dança. A lista inclui o grupo teen Jonas Brothers, o cantor Justin Timberlake e até o presidente dos EUA, Barack Obama, o fã mais famoso de Beyoncé e para quem ela se apresentou no baile da posse. A plateia vem abaixo, já completamente dominada pelo talento da cantora. É hora do bis. 

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